— Sabe por que ela teve uma reação tão explosiva? Porque você acertou em cheio na ferida dela.
— Eu não sou isso! Eu não fiz isso! — Laura tentou se defender histericamente, mas suas palavras esbarravam num muro de deboche.
Nenhuma das presas ali era inocente; tratava-se de mulheres rudes que não tinham piedade de garotas frágeis.
Diariamente, exceto nos raros momentos no pátio, elas ficavam espremidas naquele buraco sombrio.
A pressão constante, o tédio massacrante e a falta de escape as forçavam a buscar prazeres cruéis para anestesiar a mente.
E Laura, recém-chegada e amedrontada, era o brinquedo perfeito para o sadismo delas.
— Já tá no inferno, pra que pagar de santa? — As mulheres a cercaram como se estivessem num espetáculo de horrores.
Enquanto Laura gaguejava suas defesas esfarrapadas, uma delas agarrou seu braço com força.
A mulher não a agrediu de imediato, apenas inspecionou brutalmente os dedos e as palmas de suas mãos.
— Vejam só, essas mãos nunca lavaram uma louça na vida. Não tem um calo sequer, com certeza não é ladra — comentou a detenta, erguendo o braço de Laura para que as outras analisassem.
— Tão jovem e com essa carinha de raposa, deve ser alguma garota de programa.
As críticas e risos desciam sobre ela como lâminas invisíveis.
— Suas idiotas, estão falando bobagem! Eu nunca faria isso! Eu sou uma herdeira rica! — berrou Laura, o rosto vermelho de fúria e humilhação.
— Hahahaha! Que desilusão! Herdeira rica? Tem coragem de inventar uma história dessas? Aposto que era amante de um velho rico e a verdadeira esposa te encheu de porrada antes de mandar te trancarem aqui!
— Se você é herdeira, então eu sou a Rainha da Inglaterra!
As gargalhadas ecoaram implacáveis pela cela.
— Isso é difamação! Eu vou relatar vocês aos delegados! — esbravejou Laura.
— Vai fazer queixa, é? — Os sorrisos desapareceram e as mulheres avançaram contra ela, com sombras tapando a luz.
— O que vocês estão fazendo? Ahhh!
Laura foi arremessada contra o colchão duro enquanto uma chuva de socos e tapas caía sobre seu corpo magro.
— Me soltem! Eu não vou contar! Vocês são loucas...
— O que você disse, princesinha?
Os socos que atingiam suas costelas ficaram ainda mais brutais.
— Muito bem. De agora em diante, qualquer coisa boa que entrar aqui vai primeiro para a Dona Vera, e depois a gente divide o resto — ordenou uma das capangas, delineando o sistema cruel para a novata.
— Claro, claro, como quiserem.
Não demorou muito para o horário do almoço ser anunciado.
As portas de ferro rangeram, e as detentas correram para a fila com suas bandejas desgastadas.
Laura segurou sua vasilha plástica e acompanhou a fila, os olhos marejados.
Mas o que ela recebeu no balcão foi apenas um pão amanhecido e duro, uma tigela de mingau aguado e uma porção de rabanetes em conserva sem o menor tempero.
Aquilo? Até a comida dos empregados da Família Torres era dez vezes melhor que aquilo!
O pão escuro parecia uma pedra e não despertava o menor apetite; a conserva de rabanete não brilhava com nem uma única gota de óleo ou azeite.
Ela olhava para a comida sem saber como colocar aquilo na boca.
Mas, ao seu redor, as outras mulheres devoravam o pão duro como se fosse um banquete requintado.
Laura tentou dar uma pequena mordida, mas a textura áspera e o sabor amargo travavam na garganta, impedindo-a de engolir.

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