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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 205

— Sabe por que ela teve uma reação tão explosiva? Porque você acertou em cheio na ferida dela.

— Eu não sou isso! Eu não fiz isso! — Laura tentou se defender histericamente, mas suas palavras esbarravam num muro de deboche.

Nenhuma das presas ali era inocente; tratava-se de mulheres rudes que não tinham piedade de garotas frágeis.

Diariamente, exceto nos raros momentos no pátio, elas ficavam espremidas naquele buraco sombrio.

A pressão constante, o tédio massacrante e a falta de escape as forçavam a buscar prazeres cruéis para anestesiar a mente.

E Laura, recém-chegada e amedrontada, era o brinquedo perfeito para o sadismo delas.

— Já tá no inferno, pra que pagar de santa? — As mulheres a cercaram como se estivessem num espetáculo de horrores.

Enquanto Laura gaguejava suas defesas esfarrapadas, uma delas agarrou seu braço com força.

A mulher não a agrediu de imediato, apenas inspecionou brutalmente os dedos e as palmas de suas mãos.

— Vejam só, essas mãos nunca lavaram uma louça na vida. Não tem um calo sequer, com certeza não é ladra — comentou a detenta, erguendo o braço de Laura para que as outras analisassem.

— Tão jovem e com essa carinha de raposa, deve ser alguma garota de programa.

As críticas e risos desciam sobre ela como lâminas invisíveis.

— Suas idiotas, estão falando bobagem! Eu nunca faria isso! Eu sou uma herdeira rica! — berrou Laura, o rosto vermelho de fúria e humilhação.

— Hahahaha! Que desilusão! Herdeira rica? Tem coragem de inventar uma história dessas? Aposto que era amante de um velho rico e a verdadeira esposa te encheu de porrada antes de mandar te trancarem aqui!

— Se você é herdeira, então eu sou a Rainha da Inglaterra!

As gargalhadas ecoaram implacáveis pela cela.

— Isso é difamação! Eu vou relatar vocês aos delegados! — esbravejou Laura.

— Vai fazer queixa, é? — Os sorrisos desapareceram e as mulheres avançaram contra ela, com sombras tapando a luz.

— O que vocês estão fazendo? Ahhh!

Laura foi arremessada contra o colchão duro enquanto uma chuva de socos e tapas caía sobre seu corpo magro.

— Me soltem! Eu não vou contar! Vocês são loucas...

— O que você disse, princesinha?

Os socos que atingiam suas costelas ficaram ainda mais brutais.

— Muito bem. De agora em diante, qualquer coisa boa que entrar aqui vai primeiro para a Dona Vera, e depois a gente divide o resto — ordenou uma das capangas, delineando o sistema cruel para a novata.

— Claro, claro, como quiserem.

Não demorou muito para o horário do almoço ser anunciado.

As portas de ferro rangeram, e as detentas correram para a fila com suas bandejas desgastadas.

Laura segurou sua vasilha plástica e acompanhou a fila, os olhos marejados.

Mas o que ela recebeu no balcão foi apenas um pão amanhecido e duro, uma tigela de mingau aguado e uma porção de rabanetes em conserva sem o menor tempero.

Aquilo? Até a comida dos empregados da Família Torres era dez vezes melhor que aquilo!

O pão escuro parecia uma pedra e não despertava o menor apetite; a conserva de rabanete não brilhava com nem uma única gota de óleo ou azeite.

Ela olhava para a comida sem saber como colocar aquilo na boca.

Mas, ao seu redor, as outras mulheres devoravam o pão duro como se fosse um banquete requintado.

Laura tentou dar uma pequena mordida, mas a textura áspera e o sabor amargo travavam na garganta, impedindo-a de engolir.

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