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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 208

— Por que eu mentiria sobre algo que é tão fácil de descobrir? — retrucou Laura, com um sorriso altivo. — Vocês podem checar as notícias assim que saírem.

Ao pronunciar aquelas palavras, a antiga sensação de superioridade inflamou seu ego.

— Puxa, me desculpe mesmo. Nós realmente interpretamos as coisas de forma errada ontem — desculpou-se uma das detentas, mastigando avidamente os biscoitos amanteigados de Laura.

— Tudo bem, nós não nos conhecíamos. Águas passadas.

— Apenas me tira uma dúvida... Se você é mesmo uma herdeira tão poderosa, como diabos veio parar no mesmo esgoto que a gente?

— Vocês não fazem ideia da maldade das pessoas... Eu tenho uma irmã gêmea, o nome dela é Tainá Torres...

A partir daí, Laura moldou a narrativa ao seu favor, pincelando seu histórico de forma heroica e vitimizada. Falou do sequestro na infância e de como ela retornara para sua verdadeira família havia apenas alguns meses.

Por ser doce e inocente naquele mundo perverso, relatou como a irmã malévola começou a sabotá-la incansavelmente, arquitetando armadilhas sórdidas para expulsá-la de casa e roubar todo o amor dos pais.

E claro, ela elencou todas as maldades que ela mesma cometera contra Tainá, mas invertera os papéis magistralmente, transformando-se na vítima angelical das agressões brutais de Tainá.

Acrescentou toques de exagero dramático e exagerou na perfídia da gêmea para parecer a encarnação viva do sofrimento imerecido.

— Caramba, isso soa como o enredo de novela de herdeira falsa e verdadeira! A diferença bizarra é que, nesse caso, ambas têm o mesmo sangue.

Limitadas àquelas paredes minúsculas de concreto e sem absolutamente nada para fazer pelo resto do dia, as presas ouviam a história como quem escuta um rádio-novela.

Ninguém acreditava em uma única vírgula, é claro. Em detenções assim, havia todo tipo de gente marginalizada ali; lobas velhas e cobras sorrateiras. Elas não caíam em papo de menininha mimada tentando bancar a sofredora.

Na verdade, as manipulações chorosas de Laura eram os mesmos truques batidos que aquelas mulheres usavam antes de perderem os dentes de leite.

Nem mesmo o fato de ela ser, de fato, a Herdeira da Família Torres as impressionava.

Elas simplesmente queriam matar o tédio.

— Essa tua irmã é um poço de maldade pura, mas também não dá ponto sem nó. Em novela, a briga rola na sala de estar, mas essa aí conseguiu convencer a polícia a enfiar você na cadeia! Isso é ser diabólica nível expert!

— Exatamente. Ela é cruel até o osso, e manipuladora ao extremo.

— Mas e quanto aos seus pais e seus irmãos? Eles estão jogando do lado de quem? Dela ou seu?

Laura parou, hesitando. Se ela dissesse que a família favorecia Tainá, sua narrativa de "pobre coitada indefesa" ganharia traços ainda mais trágicos e críveis.

Mas o tiro poderia sair pela culatra. Se mentisse dizendo que a família a desprezava, como justificaria as roupas finas, os suplementos caros e as visitas privilegiadas que acabara de receber?

Esse era o esqueleto apodrecido em seu armário que ela mais lutou para esconder, e, em menos de 24 horas, já fora escancarado.

Subitamente, todos os olhares perfurantes convergiram nela, dissecando-a e enxergando a alma mesquinha e pútrida através da máscara de porcelana fragilizada.

— N-não é nada disso! Aquilo foi um terrível mal-entendido! Deixem eu explicar... aquilo foi... aquilo...

Antes que ela tropeçasse nas próprias palavras trêmulas, a detenta ao seu lado bateu no ombro dela e a salvou, cortando a fala:

— Eu sei, aquele vídeo com certeza absoluta foi forjado pela sua irmã malvada para incriminar você de propósito com o auxílio de inteligência artificial ou algo do tipo, não foi?

Laura olhou estarrecida para a mulher. *Como você... roubou a desculpa da minha boca?*

— Ah, qual é a diferença se for verdade ou não? — cortou outra, revirando os olhos. — Para estar trancada neste lugar imundo, nenhum de nós é flor que se cheire. Tá tudo sujo no mesmo lixo. Nós estamos no mesmo barco, não estamos?

— Exatamente, perfeitamente dito! Somos todas farinha do mesmo saco, temos que nos abraçar.

Justamente quando o alívio tomou conta de Laura por elas parecerem compreensivas e unidas, a voz ameaçadora e áspera da Dona Vera cortou a harmonia nojenta.

— Escute aqui, princesinha... Já que todas as suas "irmãs" de cadeia demonstraram tanto amor cristão, compreensão e apoio moral perante seus segredos feios... por que você não retribui tanta lealdade repartindo o restinho daqueles chocolates belgas?

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