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Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão romance Capítulo 210

— Que tipo de pessoa você é, espionando pelos cantos?

— Se elas estavam debatendo sobre ações e você aparece hoje com um notebook a tiracolo, as duas pontas da linha não são tão difíceis de conectar, são?

A intuição daquele garoto era monstruosamente afiada.

Carlos era um bom rapaz. Tainá lembrou-se de que ainda lhe devia um favor (da vez em que ela batera no herdeiro valentão e Carlos usara a força da família para limpar a bagunça).

Já que o disfarce havia despencado, por que não aproveitar para quitar aquela antiga dívida de lealdade?

— Já que seu cérebro já montou as peças, eu estou analisando uma ação muito específica de alto retorno. Se estiver interessado, deposite suas economias na minha conta e eu as gerencio. Contudo, fique avisado desde já: o mercado não tem pena. Se o dinheiro virar cinzas, arque com os riscos silenciosamente.

— Relaxa. Se perdermos tudo, encaro como se o dinheiro tivesse caído de um buraco no bolso.

O moleque era destemido e eficiente. Naquela exata cadeira, destravou o aplicativo bancário e transferiu 500 mil diretamente para o celular dela em dez segundos.

— Então, qual é o nome dourado do papel?

— Confidencial! O que foi? O medinho já bateu?

— Não é medo, é a falta de justiça cósmica. Coisas maravilhosas não deveriam ser jogadas ao vento para todo mundo aproveitar?

*Vai sonhando com filantropia!* Se o peso brutal dos bilhões da Família Xavier invadisse aquela ação específica, os tubarões fariam uma carnificina e colheriam todos os ganhos sem deixar um centavo para os novatos.

— Esquece que eu falei com você.

— Tainá, tem uma coisinha que eu sempre quis sugerir... não sei se devo.

— Então não sugira.

— Que tal você ser minha noiva? — O garoto jogou o charme sem nem piscar, com um sorriso insolente.

Os olhos de Tainá dobraram de tamanho.

— O que você está dizendo? Que absurdo! Não vou namorar enquanto não terminar o ensino médio. Vai embora daqui, some da minha frente! A Ana já está voltando!

A presença prolongada do "Senhor Popular" debruçado sussurrando bobagens na sua mesa já começara a atrair olhares curiosos dos alunos que passavam.

Sem surpresas, ao lançar os olhos sobre os ombros, Tainá deparou-se com o olhar fixo e frio de Henrique Alves, pregado na direção deles.

Ignorando a nuvem dramática ao seu redor, Tainá dispensou Carlos Xavier com um gesto de mão enxotando uma mosca e afundou o rosto nos livros preparatórios de gramática. Seu cronograma diário não permitia novelas adolescentes.

O sinal tocou.

O Professor Fábio Rocha varreu a sala como uma tempestade poética, dissecando as obras de literatura com paixão avassaladora. Ele intercalava metáforas históricas com episódios de crônicas raras.

Tainá freou, fuzilando os arredores com o olhar. Ninguém por perto.

— Abaixa o tom de voz, sua idiota inconsequente! Quer alugar um carro de som para gritar na rua também?! Você e a Débora berraram o assunto pelos corredores! Tem noção de que já vieram me arrancar verdades hoje cedo, não tem?

— Eu e a Débora? Como assim?

— Eu vou usar o computador do professor unicamente para processar as provas dele. Eu sou uma aluna monitora superdedicada. O outro assunto é da minha vida privada e farei em meu tempo livre quando e se for possível — disparou Tainá com secura.

Como a lealdade entre as três era inquestionável, Tainá abria o jogo e soltava farpas cortantes sabendo que não ofenderia; era um senso de proteção bruto.

Francamente... Na noite anterior, Tainá as proibiu de citar o evento com terceiros. As garotas até podiam fofocar asneiras para o vento se estivessem no quarto escuro de casa, mas nos corredores fofoqueiros do colégio? Falta de noção pura.

Luna era um doce de pessoa e possuía uma moral digna, mas, se tratando da retenção de segredos na ponta da língua... era um vazamento puro.

Se Tainá declarasse agora que quem descobrira a falcatrua havia sido Carlos Xavier, a tonta correria para a sala em modo de ataque e exigiria saber como ele ousara escutá-las.

E, com isso, as suspeitas estourariam perante dezenas de adolescentes hormonais desocupados e faladores, criando um tsunami incontrolável.

Como diabos uma adolescente que ainda estudava o ensino médio e cantava nas horas vagas estava de repente esmagando o crânio dos tubarões da bolsa de valores? Soaria absurdamente mágico e atrairia escrutínios sombrios da sociedade.

O que era ainda pior: isso sujaria fatalmente a honra intacta de Fábio com boatos cruéis de subornos e favoritismos pecaminosos.

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