Depois de Ana esclarecer o seu caso, a polícia prometeu ir buscá-la de carro.
Quando ela estava para partir, Tainá entregou-lhe um cartão: — Tem cem mil nisto. Pode usar.
Não entre em pânico. Fazer a prova final ou não agora, não importa. Nem é o Vestibular. Me ligue assim que possível.
— Não, obrigada, Tainá. Eu tenho uns milhares comigo, como você sabe. Se não for suficiente, eu te aviso.
Tainá sabia que Ana era orgulhosa e que faria de tudo para não ficar devendo ninguém.
— Fica com isso mesmo assim. Estar com dinheiro por perto sempre te dá mais opções e não te deixa de mãos atadas. Se você não usar nada, apenas me devolva depois.
Quando ela chegou em casa à noite, recebeu a ligação de Ana.
A perna do pai que era deficiente havia sido esmagada por um carro novamente.
Por sorte, o motorista em fuga não conseguiu escapar. Um carro que passava conseguiu interceptá-lo a tempo e ligar para a polícia.
O pai de Ana não havia ido para a sua cidade natal, mas sim para o município onde sua mãe biológica estava hospedada. Ele queria perguntar por que ela estava com tanta pressa de voltar para buscar a filha.
E no final da investigação, havia de fato um problema. A filha da sua mãe biológica com o atual marido tinha sido diagnosticada com uremia e precisava de um transplante de rim. Foi por isso que ela se lembrou de Ana e a queria levar para um teste de compatibilidade.
Tainá nem podia imaginar. Ela só havia avisado Ana do perigo casualmente, mas suas suspeitas acabaram sendo verdadeiras e eles realmente queriam o rim da garota.
Parece que existem muitos bandidos neste mundo.
Depois que o pai descobriu tudo e se preparava para voltar, inesperadamente, quando caminhava perto da estrada, um carro subitamente se aproximou e o atingiu...
Foi uma sorte ele ter conseguido desviar, caso contrário seria muito pior; apenas sua perna havia se ferido.
Agora aquele motorista estava sob custódia policial, e os parentes daquele criminoso cobririam os gastos médicos do seu pai.
Ao ouvirem os relatos de Ana, os policiais começaram a interrogar sua mãe e o marido dela, suspeitando de um envolvimento com o acidente de carro.
Dessa forma, aquele casal indigno não se atreveria mais a tomar atitudes drásticas; Ana estava segura.
— De fato, não há veneno como o coração de uma mulher!
Vagner e Lino exclamaram ao ouvirem o relato de Tainá.
— Não é isso que eu queria dizer. Independentemente de ser mulher ou homem, a maioria das pessoas são boas, os ruins são apenas um punhado.
Suzi os corrigiu.
— Gente que nem a mãe da Ana, há bem poucos.
— Pode ser um punhado, mas isso já é bastante desanimador.

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