— Já que sou inútil aos olhos de vocês, é melhor eu ir embora.
Laura disse isso, aos prantos, enquanto puxava a mala na direção da porta.
Viviane a segurou firme.
Ela lançou um olhar cortante para os dois filhos: — Peçam logo desculpas para a irmã de vocês.
Alexandre a ignorou e Thiago respondeu:
— Pedir desculpas? A gente só disse a verdade e não a machucamos, por que pediríamos desculpas?
Sabe o que me intriga? Quando a Tainá foi embora, não lembro de ver a senhora a puxando assim.
Será que tem algum segredo nisso tudo? Ou será que a Tainá não é sua filha biológica?
— O que você está inventando?
Martim Torres desceu as escadas, vestido com uma roupa diferente, e gritou.
— Eu só falei o que me veio à cabeça, por que você ficou tão alterado? Será que tem algum segredo?
Alexandre tirou o rosto do notebook e olhou curioso para seus pais.
— Pera aí. As duas têm Sangue Raro e as duas se parecem com o pai. Devem ser filhas de sangue.
— Mas por que o favoritismo de vocês é tão grande?
Alexandre pensou por um segundo: — Será que a Tainá é filha do papai com outra mulher?
Com certeza! Isso explica direitinho o favoritismo de vocês.
— Se continuar falando asneira, eu te encho de porrada.
Martim avançou para ele. Alexandre saltou rapidamente, levando o laptop consigo.
Viviane ficou paralisada, boquiaberta.
Será que ela era realmente tão injusta? Ou será que ela apenas sentia pena da Laura ter vivido nas ruas por tantos anos e queria compensar?
Ela escutou Martim dar o veredito final: — Você não vai. Não conhece ninguém, nem as ruas da cidade. Vai fazer o quê lá?
— Uaaah…
Laura desatou a chorar.

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