No dia seguinte, quando Lucas ficou sabendo que Valentina estava de folga nos próximos dias, foi até a casa dela especialmente para vê-la e, de quebra, chamou Beatriz junto.
— Eu já tô aqui há um tempão e a gente ainda não saiu para curtir. Antes, a gente saía direto. Vamos para aquela vila lá nos arredores da cidade hoje. Não tem muita gente, é bem tranquilo e a paisagem é legal.
Dona Cavalcanti sabia que ficar presa em casa seria chato para a filha, e que era melhor sair para espairecer. Ela não se opôs à ideia. Pelo contrário, sorriu de forma gentil ao ver os amigos da filha. — Podem ir. Vai ser bom para desestressar. Como vocês três já se conhecem, podem cuidar um do outro. Só não voltem muito tarde.
Naturalmente, Valentina topou.
Os três foram juntos em apenas um carro.
Assim que entrou no carro, Beatriz encostou no banco de trás para colocar o sono em dia, pegando no sono em pouco tempo. Valentina foi no banco do carona, conversando de vez em quando com Lucas, que estava no volante.
Após uma hora e meia de viagem, o carro foi entrando aos poucos na área da vila, e Beatriz finalmente acordou. Ela deu uma boa espreguiçada e perguntou a Lucas: — Seu avô vai deixar a empresa para você. Tem certeza de que não tem problema passar os dias vadiando por aí?
— Falam que ele vai passar a empresa pra mim, mas aposto que ele continua esperando o neto favorito dele — comentou Lucas, num tom amargurado. — Desde que o Ricardo foi embora de novo, ele come menos em todas as refeições.
Os três saíram do carro e foram andando sem pressa pela rua de paralelepípedos.
Pequenas pontes, riachos e paredes brancas com telhados escuros.
Valentina tirou algumas fotos no caminho.
Não tinham andado muito quando sentiram um cheiro forte no ar. Havia uma fila quilométrica em frente a uma loja próxima. Era uma barraquinha de crepe que não chamava muita atenção.
Mesmo não sendo final de semana, ainda tinha muita gente na fila. O cheiro de tostado misturado com aroma de ovo fez Beatriz e Valentina pararem de andar.
— Parece gostoso, né? — Beatriz estava com água na boca.
Valentina concordou com a cabeça. — Pena que a fila está enorme. Se a gente quiser comer, vai ter que esperar um tempão.
— Só isso? É fácil resolver. — Lucas soltou um sorriso exibido. Ele nunca teve vergonha de nada, era praticamente um mestre na arte da extroversão.


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