“Senhorita, as coisas vão melhorar, pouco a pouco.”
O senhor Edwards não tentou adoçar nada.
Ele sabia que Hannah não era uma criança comum — madura demais, sensata demais. Ela entenderia.
E entendeu mesmo. Ela assentiu, enxugou os olhos bem rápido e forçou um sorriso iluminado.
Aquilo só fez o coração dele apertar ainda mais.
Ele soltou um longo suspiro.
Sem conseguir evitar, esticou a mão e deu um afago leve no topo da cabeça dela.
“Senhorita, vou buscar seu almoço. Espere aqui um pouquinho.”
Tentando se recompor, o senhor Edwards se endireitou, ajeitou a expressão e fez uma leve reverência, como sempre, antes de seguir para a cozinha.
Hannah voltou depressa a atenção para o celular e o caderno.
Revirou a sacola de compras, torcendo para achar a nota fiscal.
Como ela imaginou — nada.
Jason já tinha pensado em tudo.
A nota fiscal tinha ido direto para as mãos dele na hora da compra.
Hannah ficou ali, olhando para o nada por um instante.
Depois pegou o celular e baixou um aplicativo chamado Peach. Apontou para o caderno e começou a escanear que nem louca.
Chegando bem perto, ela apertou os olhos e contou.
“Credo—!”
Quando viu o preço, deu um pulo como se tivesse levado um choque.
Ainda desconfiada, escaneou de novo...
Confirmação total.
Uma montanha inteira de dívida, e ela nem tinha virado adolescente.
Uma onda de desânimo passou por cima dela.
Soltando um suspiro arrastado, abriu o caderno e baixou um aplicativo de edição de vídeo.
Mesmo com o coração apertado, disse a si mesma para se concentrar.
Abriu o app, fuçou nas configurações, tentou entender como tudo funcionava.
O celular agora tinha aquele aplicativo novo que um dia deixaria todo mundo viciado.
Hannah decidiu ali mesmo — ia aprender tudo o que pudesse.
Com os olhos apertados feito uma velhinha, continuou mexendo nos recursos do jeito que dava.
…Na manhã seguinte, Hannah acordou atordoada
A batida na porta? Devia ser o senhor Edwards
"Senhorita! O jovem mestre disse que vai te levar para a escola. Você precisa levantar e se aprontar!"
"Mm… tá bom."
Arrastando-se para fora da cama, ela deu alguns tapas leves no rosto para despertar
Pegou do guarda-roupa a roupa mais arrumada e apresentável que tinha
Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo
Depois foi direto para a sala de jantar, com a aparência limpa e caprichada
Jason estava sentado na outra ponta da mesa, tomando café e grudado nos e‑mails de trabalho
Ele ouviu os passos dela, mas nem levantou os olhos
"Come logo. A gente precisa sair já. Não tenho tempo. Só uma conversa rápida com o diretor — você vai ficar na escola o dia todo. Sua mochila e o resto estão prontos, pega lá você mesma."
"Tá, entendi."
A troca entre eles foi curta e gelada
Só aquelas poucas frases já deixaram o clima na sala de jantar completamente constrangedor
Lá na cozinha, as empregadas ficavam espiando, sem entender nada
"O que tá acontecendo? Por que parece que a senhorita e o jovem mestre estão ainda mais estranhos?"
"Ouvi o pessoal do turno da manhã dizer que ontem teve briga. Dizem que a senhorita discutiu com o jovem mestre e com o senhor Collins no café."
"O quê? A senhorita discutindo com o jovem mestre? Nem a pau que eu acredito nisso!"
"Bom… também não é impossível. Ontem eu fui jogar o lixo dela fora. Encontrei um sachê inacabado — parecia que ela tava fazendo pro jovem mestre, aí desistiu e jogou tudo no lixo."
A fofoca deixou as empregadas boquiabertas
Todo mundo que trabalhava naquela casa sabia — Hannah já tinha feito muito pela família. Por todos eles. Qualquer um com olhos via isso. As empregadas tinham pena da senhorita Hannah e ajudavam no que podiam
E agora
Será que ela finalmente tinha desistido de tentar se enturmar com a família
Algumas das mais sensíveis já estavam com os olhos marejados

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