Virava-se de um lado para o outro, sempre com a rejeição e indiferença de Jessica em mente.
Em outros tempos, Jessi jamais teria assistido impassível enquanto ele apanhava, muito menos continuaria saboreando um prato. Antes, ela teria corrido para defendê-lo da palmatória, chorando e perguntando se estava tudo bem. Mas agora, não havia nada disso. Jessica até tinha a coragem de entrar no carro de outro homem depois que ele a ajudara. Só de pensar nisso, ele sentia uma necessidade urgente de encontrar Jessica e esclarecer tudo.
Xande estreitou os olhos, observando Luís, ponderando sobre os sentimentos que o homem ainda nutria por Jessica. Carla, ao lado, já havia falado.
"A Jessica nunca respeitou o Xande, sabe que ele está internado e nem sequer apareceu. Diretor Ferreira, a sua relação com a Jessica é tão boa, por que não a aconselha? Afinal, Xande é o pai dela, e ele se preocupa com ela."
"Ela é filha, por mais que seja, o pai está doente, ela deveria visitá-lo, não acha?"
O plano era trazê-la de volta. Depois, qualquer punição ficaria a critério de Xande. Carla tinha seu plano bem traçado. Xande também respondeu.
"Como eu pude ter uma filha tão ingrata? Diretor Ferreira, você que tem uma boa relação com ela, poderia me ajudar a controlá-la."
Ele só queria alguém que pudesse conter Jessica. Mas Luís não caiu na conversa dos dois. Jessica tinha coragem de rejeitá-lo, mesmo com treze anos de história juntos. Agora, é claro, ela também poderia se recusar a visitar um pai que detestava e uma madrasta com quem não se dava bem. Se ela não estava ali, não fazia sentido ele ficar também.
"Ela tem suas próprias ideias, já que Sr. Paiva está bem, vou embora."
"Espere!"
Xande o chamou rapidamente, perguntando de forma cautelosa, "Diretor Ferreira, queria saber, o que você realmente sente pela minha Jessi agora. Você quer reatar ou..."
Luís parou por um momento.

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