O ar na sala de reuniões ficou instantaneamente tenso.
Numa mesa de licitação, somente um veterano tão arrogante teria a audácia de humilhar alguém assim na frente de todos.
Havia também um pacificador que conhecia o valor do Grupo Ferreira e tentou amenizar a situação.
"Ele não escolheu seu nascimento como filho ilegítimo, não há necessidade de mencionar isso, todos aqui se conhecem bem."
"Não escolheu seu nascimento? Mas ele escolheu fazer fortuna apoiando-se em mulheres, não foi?"
Alguém no canto da sala murmurou.
Ao lado, um homem barrigudo se juntou à zombaria.
"Não é à toa que o veterano ousa falar assim, um filho ilegítimo que fez fortuna com mulheres não deveria mesmo estar sentado à nossa mesa."
"Tão jovem e de boa aparência, claro que atrai a atenção das senhoras ricas, haha."
Mais pessoas se juntaram à chacota, e logo muitos estavam rindo e fofocando.
Quando muitos falam, deixa de ser ofensa e vira piada.
Luís cerrou os punhos e, instintivamente, olhou para Jessica do outro lado da mesa.
Ela parecia não se importar com os rumores, discutindo calmamente documentos com seu assistente.
Ela sempre se concentrava facilmente no trabalho.
Memórias antigas vieram à tona.
Luís de repente se lembrou dos dias em que ele e Jessica abriram um negócio juntos.
Ele, por causa do prestígio de seu pai, nunca se curvava.
Mas Jessica sempre sabia quando ceder e negociar, conseguindo pequenos projetos no meio dos grandes.
Afinal, foi a ajuda de Jessica que lançou as bases de sua carreira.
Sem Jessica, ele não seria quem é hoje.
Ouvindo os rumores ao redor, ele não conseguia dizer uma palavra em defesa.
Na mesa principal.
Glória estava sentada com seu tio.

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