Rosa ficou paralisada como se tivesse sido atingida por um raio.
Seu rosto mostrava total incredulidade, quase incapaz de se manter em pé.
Luís, ainda preocupado com a asma e saúde dela, pacientemente acrescentou mais uma coisa.
"Eu vou compensar os outros moradores pelo prejuízo, desde que você pare de criar confusão."
"Eu..."
Rosa abriu a boca, mas não sabia por onde começar, apenas fitou Luís com um olhar atônito.
Ela queria dizer que não estava fazendo tempestade em copo d'água, mas não encontrava uma justificativa moral para isso.
Ela pensou em assumir a responsabilidade sozinha para ganhar a simpatia de Luís, mas temia que ele realmente jogasse a dívida sobre ela.
Indecisa, Rosa apenas se encolheu, com os olhos vermelhos, tentando parecer desamparada.
A administração do condomínio, ao saber que Luís estava disposto a pagar, rapidamente trouxe a fatura e a lista de danos.
"A indenização será distribuída conforme as regras para cada morador afetado. Aqui está a lista dos danos."
"Vai ser em dinheiro ou cartão?"
A administração até trouxe uma máquina de cartão, pronta para uso.
Todos os outros moradores estavam com os olhos grudados no contrato que ele segurava.
Baía dos Cisnes era uma área extremamente valorizada.
Os danos causados pela fumaça em um prédio inteiro, somados a outros prejuízos, chegavam a quase um milhão.
Luís segurava a caneta, hesitante em assinar.
Um milhão.
Se a família dele descobrisse...
Mas se ele não pagasse, a situação ainda chegaria aos ouvidos da família.
Depois de muito pensar, ele decidiu passar o cartão e cobrir o prejuízo.
Uma grande quantia saiu da sua conta.
Luís sentiu como se seu coração estivesse sangrando.
Os outros moradores, por outro lado, suspiraram aliviados.

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