Jessica se inclinou para proteger o gato desconfiado em seus braços.
Ela ergueu a cabeça.
Conseguiu ver Rosa, com a roupa toda bagunçada como se tivesse se metido numa briga. Seus cabelos estavam eriçados, algumas mechas grudadas de suor nos cantos dos olhos, era difícil não notar o olhar particularmente insano dela.
Quem a tinha provocado dessa vez?
Jessica não sabia.
Algumas palavras escaparam de sua boca.
"Quando te tirei do interior, deveria ter te ensinado não só boas maneiras, mas também um pouco de bom senso."
"O Bolozinho é um gato tricolor, mas a cor do pelo não tem nada a ver com ser vira-lata ou não. Se não entende de educação, tudo bem, mas nem insultar você sabe? Será que tem algum problema incurável na cabeça?"
"Você é que está doente!"
Rosa gritou, completamente histérica. Ela queria provocar Jessica, mas não esperava que a outra não demonstrasse nenhuma emoção e ainda discutisse sobre a pureza do gato.
Ela avançou, parando a poucos passos de Jessica, segurando a cabeça e gritando.
"Jessica! Até quando você vai me prejudicar?"
"Você já é a senhora do André, a herdeira do Grupo Paiva, a Família Torres é sua, a Família Paiva também! Você tem tudo! Por que não solta o Luís?"
"Você me tirou do interior, tratou minha asma, gastou tanto dinheiro comigo, mas por que não me dá o homem que você não quer? Por que me salvou, mas agora quer me destruir?"
Sua voz foi se quebrando, transformando-se em sussurros, em palavras e sílabas interrompidas.
Era como quando ela gritava nas matas do interior.
Quando criança, gritava para as árvores, questionando por que tinha que ser uma menina do campo, por que não podia ter uma vida mais segura e calorosa.

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