O clima entre os dois estava um tanto estranho.
No silêncio do quarto, qualquer gesto dos dois parecia ganhar proporções gigantescas.
Simão sentia-se cada vez mais satisfeito com a nora Jessica—nem ele conseguia fazer André ceder, mas Jessica conseguia.
O velho senhor pigarreou.
"O que aconteceu hoje à noite já se espalhou entre a alta sociedade, todo mundo já sabe. Se quisermos calar a boca da Sandra e do resto, temos que dar uma explicação convincente."
"Diego já terminou o noivado com a Família Holanda. Não sei, Sra. Jessica, você tem algum compromisso?"
O olhar afiado de Simão passou por ali.
Luna entendeu na hora a intenção dele, segurou a felicidade e balançou a cabeça.
"Ainda… ainda não!"
"Espere, vô."
Marcos percebeu que a situação estava saindo do controle e logo interveio: "Deixar os dois juntos oficialmente até faz sentido para resolver o problema. Mas Luna é irmã da minha nora, a irmã da minha nora casar com meu filho... Fica uma confusão de parentesco, vai virar piada por aí."
Simão hesitou por um momento.
Luna imediatamente lançou um olhar assassino para Jessica.
Nunca devia ter deixado Jessica casar com a Família Torres!
Como todos ficaram calados, Marcos insistiu.
"Se eles realmente se gostam, que seja tudo aos poucos, ninguém vai poder falar nada. Mas, pela lógica, Diego teria que chamar Luna de tia. Se espalhar por aí que o sobrinho está com a tia, isso pega mal demais. E você, o que acha, Jessica?"
Todos os olhares recaíram sobre Jessica.
O olhar de Marcos para ela trazia um sorriso de canto de boca e um aviso, como se dissesse: "Você quer mesmo que sua irmã fique no mesmo nível da sua geração?"
Estava sendo provocada.
Jessica semicerrava os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Retorno: A Herdeira