Diego permaneceu em silêncio.
Tudo o que queria naquele momento era rasgar o papel do exame que segurava.
Ele queria ter um filho.
Mas a mãe dessa criança não deveria ser Luna, aquela mulher atrapalhada.
Enquanto ouvia os gritos histéricos de Yolanda, Diego só ficava mais irritado.
Barulho.
Yolanda era barulhenta.
Luna seria ainda pior.
Ele amassou o papel em suas mãos, mas pelo canto do olho notou Jessica quieta ao lado da cama. Enquanto Yolanda o repreendia e Carla tentava acalmar Luna, Jessica conversava com o médico.
"E a situação dela? Mãe e bebê estão bem?"
"Ah... Como eu queria que todo parente fosse tão atencioso assim como você. Mãe e bebê estão saudáveis, sim. Apenas, desde o começo da gestação, ela tem tido intolerância ao álcool e, com esse vento frio à noite, acabou ficando com dor de cabeça, por isso tudo isso aconteceu..."
O médico falava sem parar.
Jessica apenas ouvia, tranquila, mas aos poucos lançou um olhar para Diego.
Seus olhos encontraram o olhar avaliador de Diego.
Jessica se assustou, as pupilas se contraíram.
Diego estava levando bronca...
Por que olhava para ela?
Sem entender, Jessica voltou a prestar atenção nas orientações do médico.
Afinal, não era do tipo de pessoa sem coração; mesmo que ela e Luna não se dessem bem, jamais desejaria que algo ruim acontecesse àquela mulher e ao bebê.
Perguntar ao médico era só uma questão de garantir a segurança de ambos, por educação e princípio.
O olhar de Diego ficou ainda mais intenso sobre ela.
A mãe do filho dele deveria ser assim.

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