O elevador não estava longe.
Mas não dava pra ignorar o peso impressionante do homem.
Os músculos firmes e definidos se apoiavam com força no ombro de Jessica.
Ela até queria perguntar, meio brincando, de onde seu bom aliado arranjava tempo pra treinar tanto, já que vivia sempre correndo pra cima e pra baixo sem parar.
Mas quem abriu a boca primeiro foi André.
"Hoje, na mesa do bar, ouvi alguém dizendo que a Fernanda anda mudando de rumo?"
"Sim, agora tá investindo em negócios reais."
"Precisa de ajuda?"
"Não precisa, não. Só sobe essas duas escadas direito, pra não tropeçar."
Jessica o apoiou enquanto subiam.
André não insistiu. Ele já sabia que Jessica sempre foi independente nos negócios, não ia forçar nada, nem meter dinheiro sem que ela pedisse. Mas, mentalmente, decidiu que, quando Jessica fosse embora, pediria pro Patrick dar uma força por trás dos panos, caso ela precisasse.
O motorista, aquele cara simples e grandalhão, acompanhou carregando a pasta, todo cuidadoso. Logo os três desapareceram na frente do elevador.
Luís, no entanto, escutou tudo claramente do corredor.
Fernanda mudando de área?
E o André, como marido, não ia ajudar em nada?
Luís apertou o punho, convencido de que só ele poderia realmente fazer Jessica feliz.
Se André não ajudava, ele ajudaria!
...
Cobertura.
O motorista depositou as coisas na mesinha de centro.
Jessica largou André no sofá, mas esqueceu que a mão dele ainda estava presa na sua cintura. Desatenta, acabou caindo direto no colo de André.
Ai!
Os dois pensaram a mesma coisa, e soltaram um gemido abafado.
Só o motorista, assustado, pulou, andando todo desengonçado na direção da porta, sem nem olhar pros lados.
"Eu... eu... não vi nada!"
"Pow!"

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