"O quê?"
Luís levantou a cabeça de repente e ajudou Rosa a se sentar.
Miguel aproveitou o momento para entregar todos os documentos nas mãos de Luís.
No instante seguinte.
O telefone tocou estrondosamente.
Luís só teve tempo de ver o relatório financeiro do Grupo Ferreira despencando. Quando atendeu, já ouviu os gritos furiosos do velho senhor do outro lado da linha.
"O que você fez com o fluxo de caixa do Grupo Ferreira?!"
"Nessas últimas duas semanas, o Grupo Ferreira não tem dinheiro nem pra comprar material! Se nossas linhas de produção pararem, a falência está logo ali na esquina! O que você fez com esse dinheiro?!"
O velho senhor berrava, misturado a acessos de tosse violenta.
Ao fundo, dava pra ouvir o barulho dos acionistas do Grupo Ferreira protestando.
Logo, Sérgio já não tinha mais forças pra continuar a ligação — cercado pela multidão, desligou o telefone.
Na sequência, veio a notícia de que o velho senhor tinha sido levado ao hospital de tanta raiva.
Os acionistas do Grupo Ferreira não paravam de mandar mensagens.
"Luís! Você está usando o dinheiro da empresa pra benefício próprio? Se prepara que eu vou te processar agora mesmo!"
"A gente investiu tanto no Grupo Ferreira, se dedicou tanto, e você, um moleque, abusa desse jeito?!"
"Devolve o dinheiro!"
"Vai pra cadeia!"
As mensagens ficavam cada vez mais curtas.
E as ameaças, cada vez mais pesadas.
Luís quase não conseguia segurar o celular. Vendo a cadeia de pagamentos desmoronando, ligou desesperado para Xande.
"Você transferiu o dinheiro pro Grupo Fernanda?"
"Transferi."

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