Grupo Fernanda.
O espaço do café estava lotado, e o horário de almoço era sempre recheado de fofocas.
"Vocês ouviram falar? Dizem que uns filhinhos de papai do nosso círculo arrumaram uma amante super dedicada, estão se divertindo tanto que nem lembram do resto do mundo."
"Ouvi sim, dizem que é uma menina pura, toda delicada, que eles tratam como uma princesa. Uns dias atrás, o Gregório foi fechar um negócio e viu de relance, parece que eles escondem a garota a sete chaves."
"Seguir aqueles caras é acabar com o resto da vida, coitada mesmo."
As meninas do setor comercial adoravam um papo desses, e já tramavam descobrir o passado da tal 'menina pura' pra usar isso a favor e garantir um projeto.
Nelson entrou para pegar água, mas não se surpreendeu, só avisou:
"À tarde, todas vocês vão ter que ir na matriz prestar contas, lembraram do que eu pedi antes?"
Na hora, o silêncio dominou.
O fluxo de caixa e dívidas entre o Grupo Fernanda e o Grupo Paiva eram bem definidos.
Mas, como o Grupo Fernanda era subsidiária do Grupo Paiva, todo ano mandava uma bela fatia dos lucros pra matriz; e o relatório financeiro tinha que subir pra revisão dos acionistas do Grupo Paiva.
Jessica foi clara: falem a verdade, mas guardem certas informações dos projetos. Chegou a marcar uma reunião só pra explicar o que podia ou não ser dito, mostrando que o negócio era sério.
Leandra, ex-colega de faculdade do Nelson e agora líder do grupo, apareceu sorrindo:
"A gente pode até fofocar no café, mas na hora do trabalho não vamos errar, pode deixar que lidar com o Grupo Paiva é tranquilo."
"Ótimo. Se ouvirem alguma novidade sobre eles, tragam pra gente também."
Nelson disse isso e saiu do café.
Sem querer, deu de cara com Jessica, que estava descendo pra almoçar.
Jessica acenou.
"Não vai almoçar? Só café já basta? Eu marquei com a Monica num restaurante, quer ir junto?"
Nelson pensou em recusar, achando estranho almoçar com chefe e colega de outro setor.

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