"Que telefone ruim? Que desculpa esfarrapada é essa! Você faz ideia do que acabou de fazer? Dentro da porcelana estava escondido..."
"Escondido o quê?"
A voz suave de Jessica ecoou atrás dele.
O movimento de Xande parou de repente.
O ar ao redor parecia ter se solidificado, nem um fio se movia.
Jessica se aproximou mais um passo no meio do silêncio.
"Mãe deixou alguma coisa dentro da porcelana?"
"..."
Uma gota de suor, grossa como um feijão, escorreu pela testa de Xande.
Não podia dizer.
Se Jessica soubesse dos lingotes de ouro, ele não receberia nada.
Mas só de lembrar da porcelana quebrada, ele teve vontade de dar uns tapas na Luna, e perguntar por que ela fazia tanto papel de boba em casa. Mas não podia dizer nada na frente da Jessica.
E Jessica ainda continuava.
"Aquela porcelana não vale tanto assim. Nada é mais valioso que o que a Luna carrega na barriga. Pai, pra que esse drama todo?"
Ela falou como se não fosse nada.
O sangue de Xande subiu à cabeça.
O futuro herdeiro da Família Torres realmente valia muito.
Mas isso era algo pra daqui uns vinte anos. Só o ouro escondido no mapa do tesouro poderia fazer o Grupo Paiva decolar e brilhar!
A criança dos Torres jamais se compararia ao ouro dos Paiva!
Furioso, ele sentiu o gosto amargo subindo pela garganta, mas mesmo assim soltou a mão devagar e forçou um sorriso para Jessica.
"Jessica tem razão, fui impulsivo demais."
"Mas vejo que já descansou bastante aqui em casa. O Grupo Fernanda está precisando de você. Melhor voltar logo, vou mandar um carro pra te levar."
Jessica observou o olhar escuro dele, mas não recusou.
O motorista veio buscá-la.

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