Pouco antes, Xande havia insistido para que ela ficasse ao lado de Luís, mesmo contra sua vontade.
Agora que havia terminado de ler o plano e o conteúdo do projeto, parecia que Xande e sua filha queriam descartá-la como se ela fosse algo sem valor.
O mundo não funciona assim, nada vem de graça.
"Os projetos e o planejamento são baseados em competências. Eu e o Luís podemos ter questões pessoais mal resolvidas, mas na esfera profissional tudo é claro e documentado. Se ele quiser romper o contrato, terá de pagar a multa, e nem o Grupo Paiva nem eu sairemos perdendo."
Xande ficou sem palavras.
Luna se levantou abruptamente.
"Irmã! Você é realmente ingrata! Não se esqueça de que foi o papai quem abriu uma exceção para promovê-la a esse cargo..."
"O Grupo Paiva foi preservado por minha mãe. Onde quer que eu esteja, ele é meu por direito! Você, por outro lado, que nem sequer nasceu na Família Paiva, apenas carrega o sobrenome, como ousa disputar comigo?"
Jessica lançou um olhar frio como uma lâmina, que perfurou o coração de Luna, fazendo-a ofegar de dor.
"Click…"
A porta se abriu novamente e Luna engoliu sua raiva, sentindo o peito apertar.
Luís percebeu a tensão no ar da sala de reuniões.
"Eu gostaria de falar com a Jessica a sós."
"Mas esse projeto é meu..." - Luna protestou, ressentida.
"A decisão é minha."
Luís respondeu friamente, mostrando total indiferença em relação a Luna.
Vendo a situação, Xande rapidamente levou Luna para a sala de reuniões ao lado. Luna se irritou: "Papai! Você vai ficar olhando enquanto minha irmã me insulta e os outros me tratam mal?"
"O projeto é a prioridade. Assim que ele for assinado, pensarei em uma solução para você."
Xande olhou para a sala de reuniões ao lado, como se pudesse ver Luís e Jessica através da parede branca.
Treze anos de relação deveriam ser bem aproveitados.

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