Perder tempo falando com gente assim era um desperdício, então Kátia passou por Valéria e subiu para o segundo andar.
Valéria olhou para as costas de Kátia com ressentimento.
Suas mãos ao lado do corpo se fecharam em punhos.
Será que Kátia sabia sobre...
Não, como ela poderia saber? As únicas pessoas que sabiam de sua verdadeira situação no exterior eram André e a família Moraes, mãe e filho.
A primeira estava firmemente sob seu controle, e os últimos jamais voltariam ao país.
Seus segredos nunca seriam descobertos.
Nesse momento, o celular de Valéria tocou.
Era André.
Valéria sorriu.
— Já desembarcou? Me mande o endereço do hotel.
Kátia bateu na porta da sala reservada e Amélia a recebeu com um grande abraço.
— Parabéns, minha amiga! Finalmente terminou! O mundo da pesquisa vai ganhar mais uma mulher brilhante!
Kátia riu. Não era para tanto exagero.
Além do mais, o resultado da prova escrita ainda era incerto, e haveria outra rodada depois do ano novo.
Amélia piscou para ela.
— Tenho certeza de que você vai conseguir! Se nem você passar, só pode significar que há algo de errado com quem elaborou a prova.
Esse elogio incondicional comoveu Kátia.
Era tão bom sentir a confiança de alguém.
Kátia se virou para Nilton. Ele vestia um traje casual, um suéter de caxemira preto e calças pretas, parecendo nobre e refinado.
— Meus parabéns adiantados pelo sucesso no exame. — Nilton entregou-lhe um buquê de lírios.
O perfume delicado encheu o ar.
Lírios, simbolizando que tudo correria bem.
O chefe era realmente um homem que valorizava os rituais.
Kátia de repente se lembrou do lenço roxo em seu bolso e sorriu, os olhos brilhando.
Será que os homens hoje em dia eram todos tão supersticiosos?
Os três se sentaram, o garçom trouxe o cardápio e Amélia imediatamente o empurrou para Kátia.
— A estudante tem a prioridade.
— Certo. — Kátia não recusou e escolheu dois de seus pratos favoritos.
Nilton advertiu a irmã em voz baixa:
— Não fale mais besteiras.
Amélia inflou as bochechas.
— Você realmente não sente nada pela Kátia? Se não sentisse, por que lhe daria flores tantas vezes?
Ela realmente não entendia o irmão.
Os olhos de Nilton se aprofundaram.
— O que eu sinto pela Kátia é admiração.
— Tudo bem, então. Fui eu que me precipitei. — Amélia pegou uma porção de comida com o garfo e mastigou com força.
Nilton balançou a cabeça.
— Acho que você está com tempo livre demais. A propósito, mamãe disse que você já está na idade, e me pediu para procurar alguns pretendentes para um encontro arranjado. Tenho um bom amigo que está voltando da capital para morar aqui. Quando ele voltar, eu arranjo um encontro para vocês.
— Eu não quero encontros arranjados! — Protestou Amélia.
Há tantos anos, ele nunca tinha visto a irmã namorar, e agora a via tão entusiasmada com Kátia.
Sua expressão mudou de repente.
— Você por acaso gosta de mulheres?

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