A garota chamada Patrícia bocejou.
— Acabei de acordar. Vou preparar um café da manhã reforçado daqui a pouco.
— Hmm. — Afonso esperou um pouco, mas como ela não perguntou nada, ele tomou a iniciativa. — Patrícia, fui à empresa hoje de manhã e, à tarde, visitei meu pai e o tio Ubaldo. O túmulo do tio Ubaldo está bem cuidado, mandei limpar.
O outro lado ficou em silêncio por um momento, antes de a voz dela tornar-se fria.
— Você não precisava fazer isso. Ele colheu o que plantou.
Afonso suspirou.
— Patrícia, não diga isso. Afinal, ele era seu pai. Sei que você diz que o odeia, mas no fundo sente falta dele. Ele era seu único parente.
— Cale a boca! Não fale mais nada! — Patrícia gritou do outro lado da linha, chorando. — Eu não sinto falta dele! Eu o odeio! Se não fosse por ele, eu não teria sido forçada a... Ah, ah, ah! A culpa é toda dele!
— Patrícia... — A reação histérica dela superou as expectativas de Afonso, deixando-o momentaneamente sem reação.
Afonso apertou o telefone, tentando acalmá-la com voz suave.
— Tudo bem, tudo bem. Não vou mais falar dele. Não chore, por favor. Fico com o coração partido quando você chora.
Patrícia foi se acalmando aos poucos, e o choro cessou.
Ela soluçou.
— Você... você o viu? Como ele está? Está bem?
Patrícia não mencionou o nome, mas Afonso sabia a quem ela se referia.
O ar no carro pareceu congelar por um instante.
Afonso forçou um sorriso amargo.
— Sim, eu o vi. Ele está bem.
Passou-se um tempo até a mulher responder.
— É mesmo? Que bom.
Dito isso, ela desligou o telefone abruptamente.
Afonso olhou para a tela escura do celular com o olhar vazio.
Abaixou o vidro do carro, deixando o ar fresco entrar. Soltou um suspiro profundo, sentindo o aperto no peito aliviar um pouco.

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