— Amiga? — Franciely zombou. — Além de mim, que outra amiga você tem?
Kátia tinha uma personalidade reservada e, na faculdade, estava sempre ocupada com trabalhos de meio período para pagar os estudos, sem tempo para fazer amigos.
Mais tarde, quando sua situação financeira melhorou depois de programar para outros e registrar algumas patentes, ela começou a namorar Mateus e passou a girar em torno dele, sem tempo para cultivar amizades.
Franciely sabia que, por todos esses anos, ela fora a única amiga de Kátia.
Agora, ouvir Kátia dizer que viera jantar com uma amiga parecia inacreditável para Franciely.
Kátia não respondeu à sua pergunta, mas a questionou de volta:
— E você, por que está aqui?
— Pelo trabalho, é claro. — Franciely exibiu os documentos em sua mão com orgulho. — Eu vim trazer...
As palavras "para Valéria" quase escaparam.
Franciely hesitou.
— Vim trazer documentos para o Sr. Mateus. Ele está recebendo um cliente.
Mateus também estava ali?
Kátia parou por um instante.
— É mesmo? Então vá. — Kátia não queria ver Mateus novamente, muito menos que ele a visse com Amélia.
Afinal, a Boson Tecnologia, subsidiária do Grupo Moraes, e o Grupo Vanguarda eram concorrentes. Ela temia que, se Mateus soubesse que ela trabalhava na Boson Tecnologia, ele não a deixaria sair tão facilmente.
Kátia se virou para sair, mas Franciely a chamou:
— Ei, você não vai esperar sua amiga?
— Vou esperar lá fora.
Observando a silhueta de Kátia, que quase fugia, Franciely sorriu com desdém.
Ainda insistia em dizer que estava com uma amiga, quando claramente estava sozinha. Quem sabe o que ela viera fazer ali!
A porta do elevador se abriu, e Franciely quase colidiu com Amélia.
Franciely estava prestes a se irritar, mas notou que a bolsa da outra era uma Hermès, o colar era Cartier e até as roupas eram da última coleção da Chanel.
As pessoas que frequentavam aquele lugar eram ricas ou nobres.
Franciely não podia se dar ao luxo de arrumar confusão.
Ela cedeu a passagem para Amélia.
Amélia não viu Kátia no saguão, mas a encontrou do lado de fora, em frente ao carro.
— Por que você saiu? — perguntou Amélia.
Kátia só pôde inventar uma desculpa qualquer:
— A noite está bonita hoje.
Mal ela terminou de falar, um Rolls-Royce se aproximou.
Este carro era...
Como se para confirmar sua suspeita, a janela do carro desceu lentamente.
— Da próxima vez, venha menos a lugares como este.
Amélia fez uma careta.
— Você também vem com frequência.
— Eu venho a trabalho.
Amélia sentiu que algo estava estranho. Ela já tinha vindo muitas vezes antes, e seu irmão nunca havia dito nada.
Hoje, só porque estava com Kátia, ele...
— Irmão.
— Hum?
Amélia semicerrou os olhos.
— Você gosta da Kátia, não é?
Nilton a fuzilou com o olhar.
— Não fale bobagens.
— O que tem de mais? Eu também acho que ela é uma ótima pessoa e combina muito com você. — Amélia parecia determinada a bancar a casamenteira.
Nilton esfregou as têmporas e a apressou a ir embora.
— Cuidado na estrada.
Observando o carro se afastar até sumir de vista, Nilton finalmente desviou o olhar.

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