Depois de muito estresse, sigo meu caminho. O hospital fica distante da empresa e, depois de entrar no ônibus, preciso caminhar por mais alguns minutos.
Quando chego em frente ao prédio, fico impressionada com o tamanho da empresa.
— Bem provável que eu me perca aí dentro… Vamos, Lizzy, coragem! — digo para mim mesma.
Sou recebida por uma jovem na recepção. Ela me conduz até o elevador e me leva para a sala do gerente de contratações. Respondo a um questionário, e ele me garante que a vaga é minha, já que fui indicada por uma das funcionárias.
Com o coração mais calmo, finalmente relaxo os ombros e respiro fundo. Caminho pelos longos corredores e resolvo procurar por Sofia para agradecer. Ao passar por uma sala, acabo ouvindo coisas estranhas.
— Eu sou sua cachorra, sim! E você não vai se livrar de mim tão cedo! — ouço uma mulher dizer. Minha curiosidade me faz ficar ali por mais alguns segundos.
— Pois eu me cansei de você, vai embora… Acho que isso paga os seus serviços. E se me procurar novamente, terá sérios problemas com meus seguranças! — diz um homem com uma voz muito rouca, aquela voz de quem fuma o tempo todo. Certamente algum velho patético que paga para ter sexo com mulheres mais jovens.
Me afasto dali e sigo meu caminho, prometendo para mim mesma que não vou me envolver em confusões. Serei cega e muda dentro daquela empresa e não me meterei na vida de ninguém.
Volto ao hospital, e as notícias não são boas. Minha mãe piora e a levam para a UTI. Mais uma vez estou sozinha, perdida e desesperada. Se o pior acontecer, meu mundo desaba; não tenho mais ninguém além dela.
Só me resta pedir a Deus, em minhas orações, que cuide dela, que a proteja, que não nos abandone. Por volta de meio-dia, meu estômago dói de fome. Vou até a cozinha do hospital, mas me avisam que os acompanhantes não têm direito a refeição.
— Tem um restaurante ao lado do café… Fica a duas quadras daqui. Pode almoçar lá e depois voltar — diz a cozinheira.
Concordo, mas sei que não tenho dinheiro para pagar esse almoço, portanto nem saio do hospital. Sento-me na recepção e meu telefone toca. É Sofia, avisando que precisam que eu comece no emprego imediatamente.
— Tudo bem, Sofia! Minha mãe teve uma piora e acabou voltando para a UTI. Não pode ter ninguém ao lado dela… Eu só vou demorar muito para chegar aí, pois não tenho dinheiro para o transporte — digo, secando as lágrimas.
É humilhante a situação em que me encontro, mas desabo ao telefone com Sofia.
— Fica onde você está, vou resolver tudo! — Sofia fala e desliga o telefone.
Quase uma hora depois, um homem muito bem vestido entra na recepção do hospital e fica me observando. Cabelos pretos, olhos verdes claros. Sua pele é bronzeada, com algumas tatuagens em evidência. Seu olhar me investiga de cima a baixo, me deixando constrangida.
— Com licença, você é a senhorita Lizzy? — ele pergunta, caminhando na minha direção.
— Sim! Quem é o senhor?
— Meu nome é Mark, sou o chefe da Sofia na empresa Collins, e agora seu chefe também. Sofia me explicou o que está acontecendo com sua mãe e tudo que você está vivendo — ele fala, sentando ao meu lado.
— O senhor… O senhor é meu chefe? Dono da empresa Collins?
— Não… Não podemos dizer que sou o dono, pois temos Victor Collins na liderança principal, mas digamos que sou um sócio muito ativo e o único amigo dele também!
— Você está muito quieta — Mark comenta. — Está tudo bem? Quer me dizer algo?
— Não… Não, senhor. Apenas estou pensando se darei conta do trabalho! Ainda não acredito que um estranho resolveu me ajudar dessa forma.
Ele solta um riso leve e esfrega o polegar na sobrancelha.
— Não sou um estranho, sou o seu chefe! Fique tranquila, pois não é a primeira pessoa que ajudo essa semana. Meus pais, principalmente minha mãe, sempre me ensinaram os princípios básicos da vida, menina, e um deles é ser generoso… Você e sua mãe precisam de ajuda, e eu posso aliviar a dor de vocês, então farei!
Fico surpresa com sua fala e também um pouco mais tranquila, mas continuo desconfiada. Quando chegamos ao restaurante, sou tomada por um misto de deslumbramento e constrangimento. O local é elegante, com garçons impecavelmente vestidos e mesas adornadas com flores frescas. Eu, com minha roupa desbotada pelo uso constante e olhar cansado, pareço totalmente deslocada ali.
Mark percebe minha inquietação e coloca a mão nas minhas costas de forma reconfortante.
— Apenas aproveite a refeição.
Sentamos em uma mesa reservada e, pouco depois, dois homens se juntam a nós. Um deles é alto, com cabelos grisalhos e olhar afiado. O outro é mais jovem, mas carrega a mesma postura firme.
— Lizzy, esses são Thomas e Richard, diretores da Collins Enterprises — Mark apresenta. — Senhores, essa é nossa nova funcionária.
Engulo em seco. Meu currículo é limitado a pequenos trabalhos domésticos. O que o senhor Mark pretende ao me apresentar para diretores?

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