O caminho foi em silêncio, até chegarem na porta de casa.
Carlitos dormiu no banco, então Sabrina só pôde entregar Noriel para Henrique e carregar Carlitos para dentro.
Depois de ajeitar as duas crianças, Sabrina suspirou e virou a cabeça, vendo que Henrique ainda estava ali.
— Obrigada por nos trazer.
Henrique ergueu levemente a sobrancelha: — A esta hora, eu faço algo para você comer.
— Não precisa, eu como qualquer coisa...
Sabrina ia dizer que comia qualquer coisa, pois havia de tudo na geladeira.
Mas sua voz parou ao olhar para a bagunça na cozinha.
Ela estava no meio do preparo da comida de manhã quando recebeu a ligação do hospital.
Só teve tempo de desligar o fogo, sem arrumar mais nada.
A porta da geladeira permaneceu aberta e o eletrodoméstico apitava de aviso.
Henrique foi para a cozinha, fechou a geladeira, arregaçou as mangas e começou a arrumar a bagunça na bancada.
— Eu...
— Você já pensou em como organizar o direito de visita do Noriel?
Henrique, de costas para ela, tomou a iniciativa de puxar assunto.
Sabrina paralisou e balançou a cabeça devagar.
Depois de balançar, percebeu que ele não podia ver.
— Não pretendo me estabelecer na Capital.
Henrique parou o que estava fazendo, virou-se e olhou para ela: — E para onde você quer ir?
— Ainda não decidi. — Sabrina apertou os lábios. — Acho que vou para a Cidade S primeiro. Quando o Noriel for um pouco maior, eu vejo o que faço.
— Nos seus planos, você quer separar o Noriel de mim completamente?
Henrique largou o que estava segurando. Havia uma leve tristeza no seu olhar para Sabrina.
— E me separar de você também?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!