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Sequestrada pelo Alfa romance Capítulo 1

Orfanato Delister

JANE

— Mas o que significa isso, Jane? — A senhora Calister apontou para as pequenas manchas de café na barra da minha saia, eu olhei imediatamente para Hayley que sorria maldosamente.

— Senhora Calister... — tentei explicar, mas ela desferiu um tapa contra o meu rosto tão forte que eu caí para trás.

Arregalei os olhos quando vi um dente meu no tapete.

— A Luna Clarisse está vindo para cá ver como eu estou administrando o orfanato e você mancha sua melhor roupa! Ah, sua órfã imunda!

Hayley havia jogado seu café na minha roupa de propósito, mas a senhora Calister não se importava com isso.

Ela me puxou pelos cabelos e me arrastou para fora da sala, me empurrando em direção as escadas.

Cai sentada no primeiro degrau, o sangue em minha cabeça fervendo enquanto a dor no meu rosto e na minha boca sem o meu dente, faziam minhas pernas tremerem. A senhora Calister era uma loba muito forte e cruel.

— Vá para o quarto e fique lá, direi que está doente. Sua idiota.

Ela fez uma careta de desprezo e saiu.

Cuspi o sangue em minha boca e meus olhos começaram a arder, odiei o nó que se formou em minha garganta, o formigamento em meu nariz enquanto eu tentava desesperadamente não chorar.

Apenas mais um ano nesse orfanato, só mais um ano, então eu faria dezoito anos e receberia o meu lobo e poderia me juntar as forças do rei alfa como uma loba rastreadora.

Em meu pescoço, eu trazia a marca de uma loba rastreadora, um pequeno círculo vermelho. Isso significava que o meu pai havia sido um lobo rastreador, essa habilidade era passada apenas de pai para filho.

Havia muitos lobos rastreadores, mas todos trabalhavam para o rei Alfa na capital, e eu finalmente sairia da cidade Delister.

Abri a porta do quarto sentindo o meu sangue ferver.

Logo atrás de mim, Hayley apareceu acompanhada de suas amigas. Ela estava rindo.

— Oh, você não poderá ir para o passeio na alcateia de Delister... que peninha. — escarneceu.

— Hayley, não esqueça de dormir de olhos abertos essa noite, nunca se sabe o que pode acontecer. — ameacei.

Hayley levantou uma sobrancelha e cruzou os braços.

— Acha que eu tenho medo de você? A maluca que jura que viu um lobo negro quando tinha dez anos? Oh, vai chamá-lo para me punir?

Hayley sempre voltava aquele assunto, quando eu havia jurado que vi um lobo negro. Todos sabiam o que havia acontecido anos atrás com um lobo negro na alcateia Lua de prata.

— Marius Blaine é real. E talvez tenha sido ele que vi.

— É claro, um assassino que matou a própria alcateia. Cuidado para que ele não venha buscar você, pequena Jane, já que gosta tanto dele... — ela disse e saiu do quarto com suas amigas gargalhando.

Eu bufei e fui me sentar perto da janela, vendo-as partir no carro.

Fiquei na janela observando até a noite chegar. Devo ter ficado horas sentada, apenas olhando para o horizonte, para a floresta, até que vi.

Olhos vermelhos me observando das sombras. Era inconnfundível e estavam flamejantes.

Meu coração disparou e todo o meu corpo tremeu.

Cai para trás, em choque.

— Pela deusa!

Eu não estava sonhando... aqueles olhos vermelhos.

. . .

Daiane abriu a porta do quarto que compartilhávamos horas depois, enquanto eu olhava pela janela todas as lobas retornando com algo em suas mãos.

Sacolas de presentes, penteados novos. Senti uma pontada de inveja, mas fechei a janela.

— Jane, você não vai acreditar em tudo que fizemos hoje! A Luna Clarisse nos levou para sua alcateia, comemos, recebemos alguns presentes, olhe essa trança que uma das lobas fez no meu cabelo! — Daiane mostrou uma trança dupla e longa, que havia ficado perfeito em seu cabelo loiro sujo.

Apenas assenti.

Daiane deve ter percebido meu desanimo, porque se aproximou rapidamente e se sentou ao meu lado.

— Um dos lobos que conheci me chamou para uma festa na clareira... podemos fugir e ir depois da meia-noite.

Fiz uma careta sem qualquer ânimo para uma festa ou para fugir no meio da noite.

Dany era o mais alto do grupo, com cabelos claros e rosto quadrado, assim que nos viu, seus amigos se levantaram e sorriram acenando, mesmo assim, eu não pensei que eles pareciam amigáveis.

Daiane correu em sua direção e o macho a pegou no colo, a beijando profundamente.

Fiquei sem reação, nunca a vira beijar ninguém.

Pensei em voltar quando meu olhar se cruzou com os dos outros machos que pareciam me encarar em expectativa, mas como eu poderia deixá-la sozinha no meio de todos aqueles machos?

Eu deveria ter ido embora...

Segui em direção a clareira e todos nos cumprimentamos, enquanto Daiane se sentou ao lado de Dany.

Fiquei entre dois machos e se chamavam Caio e Paul.

— Acreditei que haveria mais pessoas aqui, já que é uma festa. — falei, meu olhar se estreitando para Dany.

Dany sorriu de um jeito que não gostei e respondeu:

— Se há um macho e uma fêmea, é uma festa. — respondeu zombando.

Senti arrepios no pescoço e foi nesse momento que Caio colocou uma mão na minha perna.

Bati em sua mão no mesmo instante e ele gargalhou como se estivesse se divertindo.

— Veja Dany como ela é brava! — zombou Caio.

Me levantei e olhei para Daiane.

— Vamos, já está tarde.

Daiane parecia desconfortável com o que Caio fez comigo e se levantou, Dany a puxou com toda a força a obrigando a se sentar ao meu lado.

Avancei para resgatá-la, mas senti mãos grandes me puxarem pela cintura e me deparei com Caio me jogando para trás, para cima de Paul, que para meu horror, rasgou minha blusa.

Naquele momento os machos explodiram em gargalhadas sinistras.

Eu estava sozinha agora e eles iriam fazer tudo que quisessem comigo.

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