No instante em que Helena Castro reconheceu o homem, só um pensamento cruzou sua mente.
Queria ter o poder de afundar na terra e desaparecer.
Como alguém conseguia cavar a própria cova desse jeito?!
Edivaldo Serra mudou a rota. Deixou os amigos para trás e caminhou direto na direção dela.
Os olhos do homem eram fundos e queimavam, fazendo as pernas de Helena amolecerem involuntariamente.
Ela perdeu até a força para tentar fugir.
Se esforçou ao máximo para abrir um sorriso falso, acenou de leve e soltou:
— Que coincidência, não?
A expressão de Edivaldo era de puro descaso, mas seu olhar era denso. Ele analisou Helena de cima a baixo antes de fixar os olhos nos dois modelos que a seguiam de perto.
Ele arqueou uma das sobrancelhas, sugestivamente.
Helena sentiu um frio na espinha e gaguejou, tentando se explicar:
— Eles são... eles vieram com a minha amiga. Eu não contratei ninguém! Eu só vim pra beber mesmo.
Só depois de falar é que ela percebeu que a desculpa só serviu para passar recibo.
— Onde você está hospedada? Eu te levo. — Edivaldo não fez mais perguntas, mas seu olhar escureceu visivelmente.
Helena quase disse que já tinha quem a levasse.
Mas, por alguma razão, sob aquele olhar pesado de Edivaldo, as palavras morreram na garganta.
Completamente domada, ela falou o nome do hotel.
— Vamos. — ele não deu espaço para nenhuma recusa. Simplesmente pegou a bolsa das mãos dela e pendurou no mesmo braço onde carregava o casaco.
Naquele instante, Helena viu nele uma energia inexplicável de "marido de família".
E olha que ele era conhecido por ser um playboy incorrigível.
Ela o seguiu em silêncio, de cabeça baixa, feito uma aluna que acabou de ser pega matando aula pela diretoria.
Edivaldo acenou para os amigos, avisando que ia levar uma amiga embora, que a noite acabava ali para ele e que compensaria numa próxima.
Um dos amigos olhou para Helena com curiosidade, esbanjando malícia:
— Não vai apresentar, playboy Edivaldo?
— É amiga de uma amiga. Não é o que vocês estão pensando. — ele explicou logo de cara.
Estava deixando bem claro que não havia nada entre eles.
E ele não estava mentindo.
De fato, eles eram apenas amigos de amigos. Uma relação distante.
Não havia o menor motivo para ele apresentá-la.
Mas ouvir aquilo foi como levar pequenas agulhadas no peito. Um sentimento incômodo de ciúmes e irritação tomou conta dela.
— Vamos.
Depois de se despedir dos amigos, Edivaldo a chamou novamente, exigindo que andasse.

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