Helena soltou um risinho debochado, lembrando-se das conversas daqueles amigos dele: — Aposto que ele acha que, no fim, eu só estou fazendo pirraça com ele.
Afinal de contas, após tantos anos, ele estava mais do que acostumado com os compromissos que ela fazia.
Tão acostumado, ao ponto de nem acreditar que ela estava mesmo pedindo o divórcio.
No fim, Tilda só pôde dar uns tapinhas de conforto em suas costas.
— Beba. Quando a gente sai para se divertir, não pode deixar o nosso humor se abalar com qualquer zé ninguém por aí. — Helena serviu para si uma taça cheia de álcool. — Um brinde à minha liberdade precoce.
Ao fim da comemoração, Helena estava bêbada.
Tilda a amparou até a porta para chamar um táxi.
Filipe e os amigos também saíram do local.
Ícaro, caminhando na frente, a viu primeiro; surpreso, ele comentou: — Aquela não é a sua esposa?
O passo de Filipe hesitou de repente e ele estreitou os olhos em direção à porta.
Precisou apenas de um segundo para confirmar a identidade de Helena.
No instante seguinte, foi direto em direção a ela.
Tilda ainda estava no celular passando a sua localização para o motorista do táxi.
O peso de sustentar Helena aliviou subitamente.
Ela se virou apressadamente para trás e viu um inexpressivo Filipe Cruz puxando Helena com força para o seu peito.
Helena, com o álcool entorpecendo sua mente, de repente bateu o rosto em algo duro e fez uma careta de dor.
— Quem é?
Ela ergueu a cabeça e olhou com os olhos arregalados para quem a agarrava.
E assim que notou quem era a pessoa, imediatamente enrugou a testa com repugnância: — Me solta!
— Quando você voltou para a Cidade N? — Como que Filipe faria algo assim? Ele a agarrou mais forte ainda.
Seus braços machucaram por causa do aperto apertado dele; furiosa, chutou-o na perna.
— Desde quando que te diz respeito eu ter voltado para a Cidade N? Será que a vida é sua? Solte agora! Se não vou chamar os guardas de segurança!
Filipe não levou a ameaça dela a sério e ainda a avisou de forma cortante: — Esta loja é uma parceria entre mim e o Ícaro Viana, a segurança também trabalha para mim.
Ela e a marca de joias tinham assinado contrato logo agora; se, num momento tão crucial, ela aparecesse com notícias fofoqueiras sobre escândalos, de fato, as coisas não dariam certo para ela.
Assim, libertou-se com mãos menos hostis do aperto do homem e instintivamente tentou virar-se para descobrir os paparazzis.
Tão logo a mulher olhou em direção oposta, Filipe pressionou a sua cabeça num reflexo sem demoras. — Você tem medo de eles falharem em tirar fotos do seu rosto? Suba rápido.
Helena subiu meio sendo amedrontada e ameaçada por ele, mas no fundo também engolia muita raiva em silêncio.
Filipe apenas a soltou quando pôde ter certeza de que não escaparia de sua vista.
Helena alisou o punho latejante, curada das fumaças de embriaguez logo num supetão, voltando aos sentidos. — Filipe, afinal de contas o que você está tramando fazer comigo?
— Dessa vez vai ficar na Cidade N por quanto tempo? — O seu tom de repente caiu a suavidade de notas baixas: — Vai ficar em casa ou no hotel?
Casa?
Sentia muito por decepcioná-lo, mas ela já não tinha uma casa.
Sem esperar por ela retrucar de volta às pressas e resmungando mal-humorada, Filipe respondeu às próprias ideias. — Você pode morar na casa. As plantas precisam de cuidados.
Fazendo uma breve pausa por precaução, prosseguiu logo de enxofre em seguida: — Estive vivendo estes dois meses morando lá em casa também.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta
Queria muito ver o final desse livro...