"Você não é uma pessoa honesta, roubou objetos da nossa família para dar ao seu irmão. A Valentina viu e te disse umas verdades, mas você vem insinuar para mim que ela está dificultando a sua vida de propósito e te perseguindo?"
Naquele momento, o rosto de Liana ficou pálido, e ela explicou apressadamente: "Aquelas... eram coisas que o Sr. Jorge disse que estavam quase vencendo e que seriam descartadas. Eu achei que seria uma pena jogar fora, então falei com o Sr. Jorge..."
Roberto a interrompeu com uma expressão fria: "Não envolva o Sr. Jorge. Eu sei que a sua mãe ajudou o Sr. Jorge no passado, então é claro que ele ficaria do seu lado."
Liana viu repulsa e irritação nos olhos dele; todas as explicações ficaram presas na garganta dela, e um peso enorme começou a apertar o seu peito.
Ela não explicou mais nada, porque não fazia sentido.
Ela realmente pegou as coisas da Família Cavalcanti, mesmo que fossem para ser descartadas, coisas que não queriam e que iriam para o lixo, e nem assim deveriam ser dadas a ela.
Roberto franziu a testa novamente e avisou: "Liana, de agora em diante, sem a minha permissão, você não pode subir para o segundo andar e muito menos entrar no meu escritório."
Naquele momento, ela sentiu toda a sua força sendo drenada, e seu coração afundou em um poço escuro.
Os momentos embaraçosos do passado surgiram como uma maré, engolindo-a por um breve instante.
Voltando o olhar para o espaço à sua frente, Liana conteve o amargor que restava em seus olhos, soltou os dedos apertados e adotou uma expressão calma.
— Valentina, todas essas coisas são minhas, são objetos pessoais e você não tem o direito de olhar.
Liana ignorou Valentina e levou as coisas, caixa por caixa, para fora do pátio.
Pediu um carro de aplicativo e se preparou para levar tudo daqui a pouco.
Valentina deu um olhar rápido para a Lurdes ao seu lado, fazendo um sinal discreto. A empregada entendeu e virou-se para entrar na casa.
Quando Liana entrou na casa novamente para pegar as coisas, Valentina ordenou:
— Lurdes, traga algumas pessoas e abra as caixas dela, uma por uma. Quero ver o que ela roubou de novo.
Lurdes era a pessoa que a mãe de Roberto havia colocado no Residencial Bela Vista. Nos anos em que Liana morou lá, ela foi muito excluída e ridicularizada por ela.
— Sim, senhorita.
— Não mexam nas minhas coisas!
Ainda restava a última caixa para abrir. Lurdes só ouvia Valentina; como a senhorita não tinha mandado parar, ela, é claro, não pararia.
Com a tesoura na mão, ela ignorou os protestos de Liana e se preparou para abrir a próxima caixa.
Na última caixa, havia cachecóis que ela havia tricotado para as crianças e algumas coisas pequenas.
Liana tentou impedi-la com todas as forças, mas como poderia competir com o físico de Lurdes?
No meio da briga, a tesoura cortou acidentalmente a palma da mão dela, e o sangue começou a escorrer na hora.
— Ah...
— Isso... foi você que esbarrou, não tem nada a ver comigo.

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