Vendo que todos ficaram em silêncio, Vania endireitou a postura, arqueou as sobrancelhas e perguntou: “Ficaram com medo?”
“Você…” Por algum motivo que nem eles entendiam, os capangas se assustaram ao vê-la daquele jeito e gaguejaram por alguns segundos sem conseguir terminar a frase.
Divertida, Vania lhes lançou um sorriso cruel. “O que estão tentando dizer?”
“Não tá vendo o clima? É claro que vamos nos divertir juntos!” Mesmo com medo, os capangas ainda tentaram soar ameaçadores. Entediada com as mesmas falas de sempre, Vania perdeu o interesse e resmungou algo em resposta antes de fechar os olhos de novo.
Hum? O que está acontecendo? Qual é a dessa mulher? Os capangas nunca tinham encontrado alguém que não tivesse o menor medo deles, então seguiram com a pose de ameaça. “Como ousa! É melhor se arrastar de quatro na frente do nosso chefe!” gritou um, mas o tom saiu vacilante, sem um pingo de confiança.
“Chega de papo furado e vamos começar logo!” cortou Vania, soando mais impaciente do que os próprios capangas.
Os outros capangas, que estavam agachados no chão, cobriram o rosto, pois sabiam que ela cuidaria agora do segundo grupo; só lhes restava assistir enquanto a situação se desenrolava.
Por sua vez, o outro grupo de capangas se entreolhou, intrigado com o convite de Vania, sem acreditar que uma coisa dessas estivesse mesmo acontecendo. Será que ela perdeu a cabeça?, pensaram, parando de repente após dar um passo à frente, e o lugar mergulhou num silêncio constrangedor.
Do nada, um deles disse: “Quer saber? Somos maioria, não tem como ter medo dela. Vamos, galera.”
Lá vamos nós de novo, pensou Vania em silêncio. Esses capangas se formaram todos no mesmo campo de treinamento? Tudo bem, para ser justa, vou lidar com eles do mesmo jeito, já que sou uma pessoa imparcial.

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