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Sim! Me Casei Com Irmão Do Ex romance Capítulo 1005

— David não foi abrir a porta para ela, correu direto para o banco do motorista.

Nada mais antipático, nada menos cavalheiro. Era tudo gatilho.

Júlia observava cada detalhe do comportamento de David, mas nunca deixava transparecer que detestava aquilo.

Indo juntos para casa, ela poderia ter escolhido o banco de trás, e David provavelmente achou que seria assim. Então, quando a viu sentar no banco da frente, ele franziu o cenho com força.

Júlia fingiu que não viu, colocou o cinto e disse o endereço:

— Pode ir.

David já não queria conversar, só ligou o carro e ficou ali, cumprindo o papel de motorista. Quanto mais rápido resolvesse aquilo, mais rápido se separariam.

Era Ano-Novo, a cidade estava cheia de eventos de virada, gente por todo lado, carros se espremendo. Mal entraram na rua e já era aquele anda-e-para.

Ter Júlia ali, dentro daquele carro, para David era pura tortura. Ele devia estar gastando a paciência de uma vida inteira para suportar aquele momento.

Júlia virou o rosto para a janela. O clima de Ano-Novo era forte, muitos jovens passando, todos sorrindo. De repente, ela falou:

— Quer ir comemorar a virada comigo?

Ela estava atuando na frente de David, performando, mas precisava acertar nos momentos certos. Tipo hoje, ter ajudado ele com Cíntia era algo que, aos poucos, podia amolecer a visão que David tinha dela.

No dia a dia, Júlia ainda seguia sendo ela mesma. Se forçasse demais, se ele percebesse falsidade, tudo sairia pela culatra.

Essa pergunta, porém, veio na hora, impulsiva. Não era ela tentando fabricar um momento de convivência.

Era só um convite, feito num instante em que ela estava realmente de bom humor.

Júlia sempre gostou de juntar gente, de animar encontros. Chamar David foi automático.

E David não decepcionou:

— Não posso.

— Não pode… ou não quer passar a virada comigo?

— Não quero passar a virada com você.

Júlia estava ali, apoiando o queixo com a mão enquanto olhava a rua. Ao ouvir algo tão direto, tão bruto, tão sem tato, ela virou o rosto na hora.

Olhou para David.

— Você tem noção de que é a pessoa que menos me dá consideração na vida?

A mão de David seguia no volante, e tudo o que ela via era aquele perfil frio, completamente indiferente.

David ficou sem reação.

Júlia continuou:

— David, você pode continuar me odiando, tudo bem. Mas você também precisa enxergar uma coisa, eu não estou tentando te causar problemas agora. Eu sei que você não acredita, mas pedir ajuda ao Augusto por você já foi um gesto meu.

— Para mim, isso já é ceder. E você sabe como eu sou, dar um passo para trás não é fácil. E foi só isso que eu consegui fazer. Eu mudei o que era possível dentro do que eu aguento. Mas você continua me tratando como antes. Aí, não sou eu que estou errada, é você.

Ela ergueu as sobrancelhas.

— David, pode me odiar, mas guarda isso no seu peito. Agora, comigo, aja pelo menos de forma normal. Assim, a gente vive em paz.

— Nós dois sabemos que, por causa do Peludinho e da Pluminha, ainda vamos nos ver muito. Se toda vez eu tiver que encarar sua cara de quem não quer papo, a minha paciência vai acabar.

— E, quando acabar, eu posso ficar bem pior. David, você não quer que eu te provoque? Então mostra alguma atitude. Não sou só eu que tenho que fazer esforço. Se não, tudo vai sair ao contrário do que você espera. Para de agir como um idiota que não faz o mínimo e só sabe me irritar, como alguém que nem aprendeu a lidar com gente. Isso me dá até vergonha alheia.

O olhar de David não saía do rosto dela.

A fila de carros voltou a andar, e ele nem percebeu.

Júlia bateu de leve no dorso da mão dele, apoiada no console.

— Olha a rua. Dirige.

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