MONALISA
— Pela milésima vez, eu não estava preocupada - Irene disse ao telefone, me assegurando que estava tudo bem.
— Nós conversamos por telefone esta manhã e eu te disse claramente que não estava preocupada. Eu vi o Sr. Devine saindo com você e, embora não entendesse por que ele tinha ido te buscar, eu não estava preocupada - ela acrescentou.
— Fico feliz - murmurei.
— Mas Lisa...
— Sim?
— Eu tenho uma pergunta que pode parecer um pouco estranha
Minhas sobrancelhas se arquearam.
— Estranha? De que maneira? - perguntei.
-— Sr. Devine é apenas uma figura paterna para você e nada mais? Você tem certeza de que é apenas isso? Eu sei que isso soa tão estranho quanto o inferno e peço desculpas por estar perguntando, mas...
— Está tudo bem - a interrompi, mesmo que não estivesse bem. De jeito nenhum. Meu coração começou a acelerar, imaginando o que Irene tinha visto na noite passada. Será que ela viu ele me abraçando e me mantendo perto?
— Ele é apenas uma figura paterna para mim e tem sido assim por anos. Há muitos anos agora - respondi.
— Ah, entendi.
— Por que você perguntou? - questionei.
— Nada. Apenas... Apenas porque - eu quase podia vê-la dando de ombros do outro lado da linha.
— Você estará na escola amanhã? - perguntei.
— Oh sim, eu devo estar.
— Deve? Ainda não tem certeza? - Irene perguntou.
— Não tenho certeza. Temos apenas uma palestra amanhã, certo? E ela tem uma grande tendência de ser cancelada. Aquele professor quase sempre cancela a aula e remarca - Irene riu, concordando comigo.
— Irene!! - ouvi um grito do outro lado do telefone. Era a voz de uma mulher e imediatamente soube que era a mãe de Irene.
— Vou te ligar de volta em breve, ok? - Irene disse e encerrou a ligação rapidamente.
Afastei o telefone do ouvido e fiquei olhando para ele com um bico nos lábios.
Ainda estava pensando na minha conversa com Irene e na suspeita dela de que Lucius fosse mais do que eu disse que ele era quando a porta foi aberta. Era ele. Lucius. Senti meu coração dar um salto ao vê-lo subitamente na sala. Ele tinha um buquê de flores na mão com uma sacola chique.
— Oi, Docinho - não pude deixar de sorrir com a forma como ele me chamou.
— Apenas fique na cama -, ele disse, me impedindo de levantar e correr até ele mancando.
— Seja bem-vindo de volta - murmurei cumprimentando-o enquanto ele se sentava na beirada da cama.
— Rosas brancas - ele entregou o buquê de flores para mim e meus olhos se iluminaram.
— Obrigada - agradeci e puxei o buquê de flores para perto de mim. Respirei o belo aroma das flores e como eram lindas.
— Trouxe algo mais para você - ele tirou uma pulseira da sacola chique.
— Sua mão - ele exigiu e estendi minha mão direita para ele.
Segurando minha mão direita, ele colocou a pulseira no meu pulso e depois abaixou a cabeça para beijar o dorso da minha mão. Meu estômago se contraiu e meu coração deu um salto.
O que diabos estava acontecendo?!
— Você gostou?
— Eu amei! - admiti com um largo sorriso no rosto. Era uma peça muito bonita.
— Que bom que você amou. Quero que você a tenha sempre com você, está bem? - ele perguntou.
— É tão bonita, claro que vou usar sempre.
— Isso é uma promessa? - ele perguntou.
— Humhum... Sim - afirmei e ele me deu um pequeno sorriso, uma mão indo para o meu cabelo e acariciando-o suavemente.
— Bonita - ele sussurrou.
— Eu sei que você tem muitas perguntas para fazer. É hora de seguir com essas perguntas agora - ele acrescentou e eu coloquei o cabelo atrás da orelha.
— Na noite passada. Foi porque você apenas queria me satisfazer? Ou foi porque você realmente não está cansado de mim? - perguntei.
— Eu tenho que te bater de novo para você ver que não estou cansado de você? Nem um pouquinho cansado? Muito pelo contrário do que você pensa, eu te quero ainda mais - ele respondeu.

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