Logo, o café da tarde foi distribuído para todos.
Isaque Gomes pegou o último copo, reservado para Pietro Soares, e caminhou em direção ao escritório dele. Antes de entrar, olhou para ela e lançou um olhar de consolo.
Pietro Soares, observando tudo pela persiana do escritório, já tinha percebido o movimento do lado de fora. Quando viu Isaque Gomes entrar, não escondeu o mau humor.
Ele lançou um olhar para o café da tarde na mão de Isaque Gomes e comentou, em tom irônico:
— Diretor Gomes, não precisa me trazer nada, não quero. Diferente dos outros, não mudo de lado só por causa de um agrado.
Isaque Gomes soltou um leve "ah", furou o lacre do copo de chá com o canudo, tomou um longo gole e, mastigando as pérolas, respondeu de boca cheia:
— Não era minha intenção te dar.
Pietro Soares ficou sem palavras.
Isaque Gomes o olhou, entre o cansaço e a incredulidade:
— Diretor Soares, você está se achando demais. Nem tudo é do jeito que você imagina.
Pietro Soares não respondeu.
Isaque Gomes ainda acrescentou, com um tom carregado de significado:
— Olha, eu também não gostava de doce, mas depois que provei, percebi que podia ser bom.
— Diretor Soares, você é peça fundamental da equipe da UME. Deveria se permitir experimentar coisas novas.
Dito isso, Isaque Gomes virou as costas, continuou tomando seu chá e saiu da sala.
Pietro Soares sentiu-se irritado e ao mesmo tempo impotente.
Ele entendeu o recado de Isaque Gomes: aceitar Estrela Rocha e parar de fazer oposição a ela.
Mas ele simplesmente não engolia aquilo.
Mesmo sendo alguém experiente com novas tecnologias, sempre levava pelo menos meio ano para dominar algo novo.
E Estrela Rocha, uma dona de casa que ficou cinco anos afastada do mercado, prometia fazer tudo em um mês.
Nesse momento, a família Rocha já havia chegado à festa.
Assim que Júlia Rocha entrou, chamou a atenção de muitos.
Usando um vestido rosa e saltos altos, seu rosto jovem e bonito logo atraiu os olhares de vários homens presentes. Mal entrou, já foi abordada por vários deles.
Júlia Rocha desfilava com orgulho, como um pavão exibindo as penas. Na época da escola, já estava acostumada a ser admirada por sua beleza, então não se surpreendia mais com os olhares invejosos que recebia.
Na verdade, sentia até uma certa aversão.
Muitos dos homens presentes, apesar do terno impecável e da postura elegante, eram de meia-idade. Nem de longe se comparavam aos rapazes que costumavam abordá-la na escola.
No entanto, antes de sair de casa, Cesar Rocha havia insistido para que ela tomasse cuidado: só pessoas de alta posição eram convidadas para aquele evento, então era melhor evitar comentários imprudentes para não criar problemas com quem não devia.
Sem querer causar confusão, Júlia Rocha teve que conter o incômodo e responder, com educação, às investidas.
Depois de despachar mais um pretendente — um homem já calvo — ela não aguentou mais e, impaciente, perguntou a Cesar Rocha e Viviane Lacerda, que ainda estavam circulando e fazendo contatos:
— Pai, tem certeza que sua informação está certa? O Isaque Gomes realmente vem? A festa já vai começar e até agora não vi ele aqui.

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