Pouco tempo depois, Hera apareceu e, ao entrar, acomodou-se no sofá em frente.
— O que você queria dizer antes? Pode falar agora. — Tereza a observou fixamente.
— Você sabia que, na juventude, ele foi apaixonado por mim? — Hera respirou fundo antes de começar.
Tereza permaneceu em silêncio, apenas mantendo os olhos nela.
— Ele mesmo admitiu. Eu já tinha percebido naquela época, sabe? O olhar dele para mim era diferente. Ele se preocupava comigo de forma inconsciente, prestava atenção em com quem eu conversava e fechava a cara sempre que algum outro homem se aproximava de mim... — Hera abaixou a cabeça, esboçando um sorriso que misturava um orgulho oculto com um toque de autodepreciação.
— E daí? — Tereza, que escutava tudo recostada no sofá e de braços cruzados, perguntou com indiferença.
Hera vacilou. Ver a expressão tão imperturbável da outra fez com que uma angústia inexplicável tomasse conta de seu peito.
— E daí que você deveria se perguntar o verdadeiro motivo pelo qual conseguiu se casar com ele. — Ela engoliu em seco, reunindo toda a sua coragem para disparar.
— Eu, pessoalmente, nunca perdi tempo pensando nisso. Porém, os rumores alheios me deram algumas respostas. O que você quer dizer é que sou apenas a sua substituta, não é? — Tereza tomou um gole de seu chá com a maior serenidade e prosseguiu. — E como é a sensação de ser esmagada profissionalmente pela sua própria substituta?
— Ele me amou, e jamais vai me esquecer pelo resto da vida! Ele só se casou com você porque eu me casei com Alarico. Como não pôde me ter, ele se contentou com o prêmio de consolação... — O belo rosto de Hera perdeu a cor, e seus dedos apertaram o tecido da saia com força, visivelmente tomada pela fúria.
— Hera. — Tereza a interrompeu com rispidez. — Você está me dizendo tudo isso para se gabar?

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