Quando Louis entrou, ele mal reconheceu o cômodo. O quarto estava pintado e decorado com pinturas infantis penduradas nas paredes. Havia diversos tipos de brinquedos e quatro berços colocados em diferentes lados do cômodo. Ele percebeu que o guarda-roupa foi propositalmente deixado aberto para que ele visse o interior. Roupas de bebê por toda parte dentro do armário. Ele viu os produtos de higiene para bebês, loções e tudo que um bebê precisa para ser cuidado.
Ele ficou de costas para sua mãe. Sabia o porquê de sua mãe tê-lo chamado ali. Ela queria que ele visse o que havia preparado para os seus bebês ainda não nascidos e como tudo aquilo iria se transformar em desperdício ou, no máximo, ser embalado e enviado para uma instituição de caridade.
Leah Hayden observava com um olhar frio, encarando as costas do filho. Ela podia imaginar o que se passava na cabeça dele. Ela precisava ver ele chorar e implorar por perdão. Tudo estava cuidadosamente armado por ela para aquele encontro. Ela queria ver como teria sido incrível para ele atravessar a porta do quarto que um dia foi dele e ver quatro pequenos seres deitados naqueles berços. Ela queria que ele se arrependesse da felicidade que recusou quando rejeitou a alegria e as responsabilidades da paternidade e até destruiu a vida daquela mulher inocente.
Pamela estava definitivamente morta ou algo terrível havia acontecido com ela. Não havia como ela ainda estar viva e não ter procurado Leah. Ela sabia o quanto Pamela a amava e desejava ver seus netos.
Ainda com os braços cruzados, Leah viu Louis limpar os olhos. Ele deixou cair lágrimas, sentindo a dor que ela sentiu naquele dia ao descobrir o tratamento desumano dele e, apesar de muitos meses terem se passado, ela ainda não conseguia superar o que ele fez a Pamela e aos seus netos não nascidos.
Demorou alguns minutos até Louis reunir coragem e se virar suavemente para olhar para sua mãe com os olhos avermelhados.
"Me desculpa, mãe…" ele disse, engasgado. Não conseguiu dizer mais nada. Não conseguia nem levantar a cabeça para olhar nos olhos dela, fixando o olhar no chão.
Ele cresceu rodeado de amor absoluto dos pais. Nunca lhe faltou nada e mesmo aquelas coisas que ele não precisava, seus pais faziam questão de dar a ele. Ele era o típico filho de pais bem-sucedidos. Nunca se sentiu tão arrependido de algo como estava se sentindo naquele momento em seus vinte e seis anos de existência.
Ele recebia apenas uma bronca toda vez que passava dos limites, mas nunca como essa. Sua mãe ainda não havia dito uma única palavra, mas o quarto que ela fez questão de mostrar a ele, a dor e o arrependimento que ele sentia ao observar tudo, eram suficientes para durar uma vida inteira.
"Não, você ainda não deveria se desculpar. Quando for a hora certa, você vai entender completamente a razão pela qual eu te chamei aqui" Leah repreendeu e se aproximou.
Ela pegou o celular e mostrou um dia específico no calendário. "Diga-me, que data é essa?" Leah perguntou.
Com o coração pesado, Louis respondeu: "23 de agosto". Leah Hayden sorriu e acenou com a cabeça: "bom menino. E pode me lembrar a data de hoje?" Ela perguntou novamente.
Louis semicerrava os olhos. Seu coração já batia muito rápido. Ele podia imaginar aonde a pergunta de sua mãe estava chegando. "23 de agosto", ele respondeu.
Então Leah largou o celular e ficou diante de Louis, segurou seus dois ombros e o empurrou para trás. Ele cambaleou, mas recuperou o equilíbrio.
"Garoto estúpido, hoje seria o dia em que eu seria declarada avó. Hoje seria o dia em que seus bebês teriam nascido. Hoje era o dia em que eles veriam a luz deste mundo e respirariam o ar pela primeira vez.
A existência deles na Terra deveria começar hoje. Hoje, esta família daria uma festa, uma comemoração, qualquer coisa possível para expressar nossa felicidade e realização.
E isso não seria só para mim ou para Ellis, isso certamente envolveria você mais do que ninguém. Você teria entrado para o time dos pais.
Ellis teria sido o pai mais orgulhoso hoje ao ver seu garotinho ter crescido e também se tornado pai.
E eu, como poderia expressar minha alegria, hein, me diga, Louis? Esperei 26 anos para segurar outro bebê do Ellis nos meus braços, você consegue imaginar como seria minha empolgação?
Não consegui ter outro filho depois de você, Louis. Realmente desejei e quis, mas os médicos disseram que meu útero estava fraco. Não conseguiria carregar outro feto depois de você.
Amei Ellis com a minha vida e queria que ele tivesse tudo o que sempre sonhou, e isso incluía ter outro filho. Implorei para que tentássemos novamente, mas adivinhe só, ele recusou.

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