Rosana precisava se acostumar e aceitar esse fato, por mais difícil que fosse.
Manuel, percebendo a tensão no ar, falou calmamente:
— Então espere um pouco por mim. Vou terminar o trabalho aqui e depois te levo para jantar fora, está bem?
Rosana se sentou no sofá ao lado, ouvindo o som dos dedos de Manuel teclando no computador. Mas, enquanto o som de trabalho preenchia a sala, uma sensação de tristeza tomou conta dela.
As cenas do dia passavam em sua mente. Ela lembrou da visita que fez junto com Isabelly à casa dos pais de Estêvão, os choros desesperados que presenciou, e as palavras que escutou momentos antes na conversa entre Manuel e Ronaldo.
Inquieta, Rosana se levantou lentamente e caminhou até Manuel. Sem conseguir mais conter sua dúvida, perguntou:
— O trabalho que você está fazendo agora... E sobre os acidentes de trabalho no Grupo Pereira?
Manuel parou por um instante e a olhou com atenção:
— Como você sabe desse caso?
Rosana respondeu com sinceridade:
— Hoje meu chefe me deu a tarefa de entrevistar as vítimas desse caso. Passei a tarde conversando com a família de uma delas. Acabei de voltar do interior.
— Entendi. — Manuel respondeu sem grande preocupação, até esboçando um sorriso. — Então agora podemos dizer que estamos “trabalhando juntos”. Talvez até possamos nos ver mais no horário de expediente. O que acha? Será que isso conta como usar o trabalho como desculpa para namorar?
Rosana, no entanto, não estava de humor para brincadeiras. Com um tom sério, ela insistiu:
— Você realmente vai defender o Ronaldo nesse caso? Já investigou tudo o que aconteceu?
Manuel sorriu levemente e respondeu:
— Faz uma semana que estou cuidando desse caso. É claro que sei mais sobre ele do que você.
Ainda preocupada, Rosana pressionou:
— Você está defendendo o Grupo Pereira por causa da Joyce, não é? Afinal, vocês vão se casar, e os interesses da sua família e da família Pereira estão entrelaçados. Talvez, para você, vidas humanas realmente não sejam mais importantes do que os lucros de vocês.
— Já chega! — Os olhos de Manuel de repente ficaram sombrios e penetrantes. Ele a encarou com firmeza e advertiu. — Saiba qual é o seu lugar. Você não tem o direito de questionar minhas decisões.
Aquela única frase congelou todo o calor acumulado entre eles nos últimos dias. Manuel, mais uma vez, fez Rosana enxergar claramente a distância que os separava a diferença intransponível entre suas posições.
Era como se uma mão gigante apertasse o coração de Rosana. Ela respirou fundo e respondeu com a voz trêmula:
— Certo, Sr. Manuel. Entendi. Obrigada por me lembrar do meu lugar. Não farei isso de novo.
Sem esperar por uma resposta, Rosana se virou e saiu.
Manuel ficou parado, observando o vulto dela desaparecer pela porta, com as sobrancelhas franzidas. Uma irritação crescente se apoderou dele.
Ele pensou: “Definitivamente, eu a mimei demais ultimamente. Agora, Rosana acha que pode começar a questionar meu trabalho."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Joaquim, a sua esposa é a mulher daquela noite!
Quando vão liberar os demais capítulos sem precisar pagar??? Já faz mais de 30 dias...
Capítulos liberados até 1403, depois pede pagtos....
Nossa que história chata horrível como se escreve uma mulher tão burra aff...