Tommáz Walker
A última coisa que me lembro é passar o meu cinto pelo corpo da Amélie.
Estava deitado na margem do Sena, consigo ver a cauda do helicóptero afundando nas águas escuras e com correntezas bravias. Tento me arrastar pela margem do sena quando realmente noto que estou muito machucado e havia um homem não muito longe de mim.
Não consigo mexer as pernas, viro o corpo e olho o corte enorme que tinha na parte de trás da perna, da altura da coxa até o joelho. Volto o meu olhar novamente para a aeronave onde a minha francesa estava.
Um choro desesperado sai de dentro de mim, justo agora que ela se revelou a mim, que disse que realmente é a minha mascarada e principalmente que estava grávida.
— Oh, Deus… — Meu choro é alto e inconsolável.
Mesmo que estivesse vendo a aeronave afundando, sentia dentro de mim que ela não estava morta, que ela estava viva.
Sinto as mãos de alguém tentando me deitar novamente no chão, as luzes do giroflex chama a minha atenção, mas ainda não consigo ouvir nada do que os homens falavam comigo.
Um zumbido alto estava dentro da minha cabeça, começava a realmente entender a dimensão dos meus machucados e de tudo o que havia acabo de acontecer.
Os socorristas fizeram o seu trabalho rápido e me colocaram em uma ambulância, sentia-os me espetando e rasgando a minhas roupas com uma tesoura e me monitorando nos aparelhos que estavam acima da minha cabeça.
A ambulância estava rápida, mas não conseguia ouvir o som das sirenes, a socorrista na minha frente perguntava algo, mas não conseguia entendê-la. Meu pescoço já estava imobilizado enquanto tentava dizer a eles que não conseguia ouvi-los.
Precisava dizer quem era, forçar a minha voz sair e avisar a minha família o que havia acontecido.
— Sou Tommáz Walker, avisem meu pai Noah… Walker. — Forço a minha voz e por algum motivo senti um sono anormal me tomando.
Não queria dormir, se isso acontecer não poderei dizer que procurem por Amélie e meu filho dentro no seu ventre. Olho para todos que estavam trabalhando em cima de mim, via que as suas luvas estavam cobertas por sangue.
Perco a luta contra o sono, sou tragado para um lugar escuro onde o único ponto de luz que havia estava muito longe. Começo a correr em direção ao ponto de luz e por algum motivo volto a ouvir uma risada.
Meu coração palpita em excitação pela corrida, mantenho a velocidade, consigo ver que a luz é minha Ella, minha Cinderella estava correndo iluminando toda a escuridão que estava ao nosso redor.
Talvez pela história de conto de fadas e também a nossa cheia de pequenos segredos a vi deixar para trás uma pena, o vento um pouco mais forte soprou em minha direção e a pena bateu em meu peito com o perfume doce que Amélie tanto ama.
Não faço ideia de quanto tempo fiquei apagado, mas sentia que o sono começava a se dissipar, um frio incomum tocava o meu corpo, forço os olhos e percebo que já estou em um hospital.
Estava sozinha no pequeno cubículo, provavelmente estava em alguma UTI, sentia um esforço enorme para respirar, mas pelo menos não estava precisando de ajuda. Minha audição estava baixa, sinal que algo aconteceu com meu tímpano.
Não demora muito para vários médicos ficarem ao redor da minha cama verificando como estou. — Percebo que minha audição está realmente prejudicada, mas por hora isso não me importa.
— Minha esposa quero notícias, minha família, onde está? — Pergunto assim que tomo um pouco de água.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: SUA ESTAGIÁRIA
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