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Substituta de Coração romance Capítulo 4

Foi implacável, sem o menor sinal de controle!

O cabelo longo balançava a cada movimento violento, e Beatriz viu seu próprio reflexo patético no espelho, enquanto lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto.-

Com a intensidade final, a respiração do homem tornou-se cada vez mais ofegante, até que ele soltou um rosnado baixo:

— Patrícia...

Aquele nome murmurado no subconsciente foi como uma adaga cravada diretamente em seu coração, estilhaçando sua última camada de ilusão.

Quando tudo acabou, Fernando se afastou como se fosse outra pessoa. A fúria apaixonada de segundos atrás parecia nunca ter existido.

Com uma expressão de puro gelo, ele avisou:

— Compre a pílula amanhã de manhã. Não engravide, ou vou ter que te obrigar a tirar. É muita dor de cabeça.

Sem dizer mais nada, ele virou as costas e entrou debaixo do chuveiro.

Beatriz permaneceu curvada sobre a pia, o corpo todo dolorido. Demorou até recuperar o fôlego e, com o rosto vazio de expressão, começou a se vestir.

Voltou para o quarto e, em absoluto silêncio, começou a arrumar suas coisas.

A decepção era uma construção lenta, como um fio invisível amarrado no peito, arrastando-a para um abismo escuro.

O rosto no espelho parecia cada vez mais estranho. A mulher vibrante de outrora agora usava uma máscara pálida e submissa.

Ela se recusava a continuar sendo a sombra de outra pessoa.

Pegou a tesoura e, sem hesitar, cortou os cabelos longos que a deixavam igual a Patrícia Domingos. Em seguida, prendeu os fios curtos que sobraram.

Quando Fernando saiu do banho, deparou-se com a mala pronta no meio do quarto e a encarou, confuso.

Beatriz disse, impassível:

— Eu vou sair de casa.

Não era um "eu quero", era um "eu vou"!

A mandíbula de Fernando travou. Ele cravou os olhos nela com um peso esmagador, dissecando cada traço de seu rosto antes de soltar um riso irônico:

— Você se esqueceu de como ameaçou se matar para me forçar a voltar para casa? Agora cansou de brincar de casinha e quer ir embora? De jeito nenhum! Esse é o seu carma, e você vai ter que aguentar calada!

Dizendo isso, ele agarrou a roupa de Beatriz, rasgando o tecido, e abaixou a cabeça para beijá-la à força.

Usando todas as forças para conter a humilhação e a fúria, Beatriz encarou o rosto que conhecia tão bem e perguntou de repente:

Ela não parou. Precisava ir até a garagem pegar seus documentos, caso contrário, não conseguiria fazer nada.

Beatriz não lembrava em qual carro sua bolsa tinha ficado, até decidir checar o console central do luxuoso elétrico.

De repente, ela congelou, com os olhos fixos no tapete do carro.

Ali, largada no chão, estava... uma camisinha usada!

Fernando era paranóico com limpeza. Seus carros eram impecavelmente limpos toda vez que voltavam para a garagem.

E naquela noite, apenas uma mulher tinha andado naquele carro!

Não era à toa que ele havia gemido o nome de Patrícia Domingos há pouco. Os dois já tinham...

O corpo de Beatriz vacilou. Ela sabia que Fernando nunca pertenceu a ela, que havia sido insistente todos esses anos.

Mas eles sequer estavam divorciados! Como ele pôde...

Beatriz secou as lágrimas teimosas de forma bruta. Arrancou a aliança do dedo e arremessou o anel com toda a força.

Um pedaço de carne podre precisa ser cortado o mais rápido possível, mesmo que esteja grudado no coração!

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