No quarto do hospital, Dona Helena, com o pulso já enfaixado, sentava-se reta na cadeira.
O Sr. Ricardo estava recostado na cama, meio deitado. Apesar do rosto ligeiramente pálido, parecia animado. Wilson encontrava-se diante da cama, enquanto Vânia se sentava ao lado do Sr. Ricardo, ajeitando a altura do travesseiro para ele.
— Vânia, aquela mulher já deve estar chegando. Se esconda um pouco, eu vou lidar com ela. — Falou Dona Helena ao levantar a cabeça e olhar para o relógio.
— Mãe, você pensa demais, a Nívea não me fará nada de mal. — Vânia mantinha o seu sorriso suave de costume.
— Não te fará nada, então o que ela veio fazer tão longe até a Suécia? Para mim, ela só veio para nos questionar! Não a temo, mas tenho medo de que num acesso de fúria ela acabe machucando você e a envolva sem motivo.
— Acredito que não chegue a tanto. O Luca está presente, e ela não se atreverá a armar confusão — O Sr. Ricardo interveio ao lado, voltando-se em seguida para Wilson: — É verdade, Wilson, vocês se encontraram ontem, a Nívea só deve ter vindo porque sentiu falta de Luca, certo?
— Sim, deve ser. — A expressão de Wilson continuava neutra.
Com a porta entreaberta, tudo o que foi dito no quarto chegou aos ouvidos de Nívea. Ela sorriu resignada com os cantos dos lábios erguidos e nem mesmo se sentiu furiosa. Por um momento, até chegou a invejar Vânia.
Dona Helena, de fato, a amava muito.
Relembrou que, na sua infância, a mãe também ficava sempre preocupada de que sofresse bullying na escola. Beijava os seus ferimentos sempre que se machucava e se colocava diante dela quando o perigo se aproximava.
Porém, depois dos 10 anos... ninguém mais a mimou daquela forma.
— Vovô, vovó, tia!
Enquanto Nívea ainda processava a situação, Luca já abrira a porta apressadamente e entrara a correr.


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