Às dez e meia da noite, o avião de Jorge aterrissou no aeroporto de Arboleda.
O homem, que não descansava há quase vinte horas, saiu apressado do aeroporto e entrou no carro de Fábio, que o esperava do lado de fora:
— Onde eles estão agora?
— Estão num restaurante aonde a Bianca costumava ir com a cunhadinha.
Fábio lhe entregou o celular:
— Fotos tiradas por pessoas que coloquei perto do meu irmão.
Jorge franziu a testa e o pegou.
Embora a foto tivesse sido tirada secretamente pela fresta da porta de uma sala privativa, a imagem estava muito nítida.
Havia quatro pessoas sentadas na sala.
Helena, Bianca, Naiara e Matheus.
Os quatro conversavam sobre algo desconhecido, e todos tinham sorrisos abertos e radiantes nos rostos.
Especialmente Helena.
Parecia que fazia muito tempo que ele não a via sorrir com tanta alegria...
Enquanto dava a partida no carro, Fábio perguntou, franzindo a testa:
— Engraçado, a cunhadinha está casada com você há mais de um ano, mas eu não me lembro de ela alguma vez ter levado você para jantar com os amigos dela.
— E ela só conhece o meu irmão há alguns dias, e já...
Antes que Fábio terminasse de falar, ele sentiu que o ar dentro do carro havia esfriado de forma assustadora.
Instintivamente, ele olhou na direção de Jorge.
O olhar do homem parecia disparar facas.
Fábio não ousou dizer mais nada e apenas continuou a dirigir em silêncio.
Jorge estreitou os olhos com força para a foto no celular, sentindo o impulso de entrar nela e expulsar Matheus de lá.
Helena estava com ele há tanto tempo e nunca o levara para jantar com os amigos dela.
Que direito o Matheus tinha de conseguir isso?
Meia hora depois, o carro de Fábio parou em frente ao Restaurante Vila Marinha.
Jorge abriu a porta do carro e entrou com passos largos.
Seu sobretudo carregava o ar gélido do exterior.
A aura imponente que exalava era avassaladora.
Ao passar pelos corredores do restaurante, as pessoas ao redor recuavam instintivamente para evitá-lo.
Logo, ele chegou à porta da sala onde Helena e os outros estavam.

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