Quando Helena e Jorge terminaram, a noite já havia caído.
Ambos estavam suados e exaustos.
Ao saírem de baixo do edredom, Jorge abraçou Helena enquanto recuperava o fôlego por um tempo e, só depois, ergueu-a em seus braços para irem até o banheiro.
— Esses dois são mesmo bem românticos, tomam banho juntos e tudo. — Vendo a cena no andar de baixo, o capanga de Joaquim riu com sarcasmo.
— O chefe não disse? É muito provável que seja a última vez deles nesta vida, então deixe que aproveitem. — Outro subordinado riu encostado no sofá.
Após dizer isso, ele mudou casualmente a tela de monitoramento para a câmera do banheiro.
Mas o que surgiu em seus olhos foi o rosto belo e delineado de Jorge.
— Nós vamos ter um momento íntimo aqui no banheiro, é melhor vocês não assistirem. — O homem deu um sorriso de canto para a câmera.
E dizendo isso, ele arrancou o equipamento da parede, desativando a transmissão.
O capanga que estava monitorando piscou chocado e fez menção de se levantar num ímpeto.
— O que foi? — O homem ao lado dele olhou para cima com preguiça.
— Eles arrancaram a câmera do banheiro!
— Deixa arrancarem. — O companheiro revirou os olhos para ele.
— Por acaso você quer ver a bunda dos dois?
— Mas... — O homem encarregado de vigiá-los hesitou.
— O chefe disse...
— O chefe também disse que esta provavelmente será a última vez que vão foder enquanto estiverem vivos.
— Eles não vão conseguir fugir por dentro de um banheiro. Não fique tão noiado. — O outro homem acenou de forma desdenhosa.
— Descansa um pouco, logo eles terminam e saem.
O encarregado pensou por um momento e achou que seu colega tinha razão, então recostou-se no sofá e fechou os olhos para cochilar.
E naquele instante, no banheiro do segundo andar, Helena e Jorge já estavam totalmente vestidos.
Jorge arrancou a bacia sanitária do chão, e os dois começaram a bater nas lajotas da parede atrás dela, uma por uma.
— Existe mesmo uma passagem aqui? — Jorge franziu a testa, batendo nos azulejos enquanto olhava com ceticismo para Helena.
— O bilhete dizia que sim. — Helena assentiu.
No bolo que Matheus trouxera à tarde, havia, na verdade, um rolinho de papel muito pequeno escondido no recheio.
Quando comeu o bolo e sentiu o papel, ela rapidamente o posicionou perto do dente do siso com a língua.
Sabendo das câmeras do quarto, ela usou a falsa intenção da relação íntima para rolar na cama e ficar sob as cobertas com Jorge.
Sob os lençóis, na verdade, eles não tinham feito absolutamente nada.
O tempo todo, era apenas Jorge se movendo fingindo estar exausto pela atividade.
Enquanto isso, por baixo dele, usando a escassa luz que adentrava, ela lia o conteúdo escrito no pequeno papel.
Com letras extremamente minúsculas, o bilhete indicava a rota de fuga daquela vila.
E a principal via de entrada estava bem ali, atrás do vaso sanitário do banheiro.

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