Isabel Ribeiro observou o homem se aproximando.
Ele era alto, distinto, exalando uma aura de poder que impunha respeito imediato.
Sérgio Serra foi o primeiro a se levantar, seguido pelos tios, filhos da família Serra, e logo, todos os demais familiares estavam de pé.
Miguel Almeida levantou a mão levemente.
— Por favor. Quase perdi o banquete da minha sogra.
Serena organizou os talheres na frente do marido, com um sorriso contido.
— Você chegou exatamente na hora de comer.
Miguel assentiu com um leve sorriso no canto dos lábios.
— Sim, eu segui o cheiro da comida.
— Nós entendemos que o seu trabalho exige muito. Agradecemos por ter vindo de tão longe. — A voz da vovó Maria transbordava afeto.
A matriarca olhava para o genro com uma adoração indisfarçável.
Isabel nunca tinha visto a velha senhora sorrir para alguém com tanta doçura.
— É o meu dever. Fazia anos que eu não os visitava. Foi uma sorte eu estar na Cidade R justamente agora.
As palavras do homem eram educadas, respeitosas, mas mantinham uma clara distância diplomática.
— Miguel, tente ficar mais alguns dias na Cidade R desta vez. — O patriarca pediu.
Fazia anos que não via o genro, e com a cirurgia se aproximando, sentia-se inquieto.
— Minha agenda não me permite. Deveres do ofício. — Miguel serviu um copo de água para o sogro. — Mas vou pedir que Serena e Natália fiquem e façam companhia ao senhor.
Isabel analisava aquele tio.
Sua postura, sua forma de falar... tudo parecia milimetricamente perfeito. Era impossível encontrar uma falha.
Ela pensou que aquela era a verdadeira aura de quem estava no topo do poder. Uma pressão silenciosa, muito parecida com a frieza aristocrática de Sérgio Serra.
A diferença é que a postura de Miguel era sólida e inabalável. Comparado a ele, Sérgio ainda parecia um novato.
— Tia, já conferi. Nenhum prato tem amêndoas. — Juliana Serra desligou o telefone e sentou-se perto da matriarca.
Isabel pensou com amargura que ela também era alérgica a amêndoas. Mas ninguém parecia lembrar disso. Nem mesmo Sérgio.
— Você sempre exagerando, Serena. Bastava eu não comer os pratos com amêndoas. Não precisava dessa comoção toda. — Miguel murmurou uma leve repreensão.
Serena abriu um sorriso dócil.
— É melhor prevenir. O susto que você me deu da última vez quase me matou.
Nesse momento, o gerente do salão apareceu com o chef e sorriu de forma obsequiosa.
— Sra. Serra, o diretor Serra já havia instruído previamente que nenhum prato tivesse amêndoas. Acabei de confirmar novamente com o chef, a senhora pode ficar tranquila.
— O Sérgio sempre foi muito atento. Não é à toa que seu tio vive o elogiando. — Serena olhou para o sobrinho com um sorriso satisfeito.

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