Ela queria tanto assim se divorciar?
— É apenas a entrada no divórcio. Não se esqueça de que ainda temos o período de reflexão de um mês.
A voz fria do homem jogou um balde de água congelante na alegria de Isabel. Deu tanto trabalho arrastar aquele crápula até o cartório, e se em um mês ele não concordasse, todo o esforço iria para o ralo.
Vendo a expressão dela congelar, Sérgio deu um sorriso de canto e se virou para ir embora.
Isabel correu e o segurou.
— Me dê as informações sobre o doador do rim. Eu paguei, tenho o direito de saber.
Sérgio soltou uma risada de escárnio.
— Você pagou? Usando o meu dinheiro para negociar comigo? De onde você tirou tanta audácia, Isabel Ribeiro?
Isabel ergueu uma sobrancelha.
— Do seu filho. Se não me contar, vou deixar ele sofrer mais um pouquinho. Não vou machucar o garoto de verdade, claro. Mas um susto bem dado e um castigo não fazem mal a ninguém.
Sérgio: ...
Ele sabia que Isabel não faria mal a uma criança, mas lembrar do choro de Rafael o corroía de culpa por não ter cumprido sua promessa.
Ainda mais porque o sofrimento do menino estava sendo causado pelas próprias atitudes dele.
Ele havia jurado criar Rafael como seu próprio filho. Tinha a obrigação de protegê-lo e dar o seu melhor para erguê-lo na vida.
Sérgio pensou por um momento e, num tom rigidamente generoso, abriu o jogo:
— Um condenado à morte. Câncer de estômago em fase terminal. Assinou o termo de doação de órgãos e a compatibilidade foi confirmada. Mas ele ainda aguenta um tempo. O médico deu no máximo dois meses.
O coração de Isabel pesou. Dois meses parecia muito tempo; era quase como torcer pela morte de alguém. Mas, para sua tia, a espera seria agonizante.
— Você gastou dinheiro, eu também gastei. Como planeja me devolver os duzentos e cinquenta milhões que me deve?
Isabel trincou os dentes. Esse canalha não prestava nem para ficar calado.
— Devolver é o caramba! Você cavou esse buraco para mim. Se quis jogar dinheiro fora, o problema é seu. Não tenho nada a ver com isso.
Além do mais, ela não havia assinado acordo nenhum. Duzentos e cinquenta milhões? Para ela, Sérgio não passava de um idiota arrogante.
Lançando-lhe um olhar de desprezo, Isabel apertou o casaco contra o corpo, entrou no carro e foi embora.
Sérgio acompanhou o carro se afastar. Tirou um cigarro, acendeu-o e encostou-se na porta do próprio veículo, com o olhar denso e insondável.
Com seu objetivo alcançado, Isabel seguiu direto para o Ateliê Patrimônia Viva.
A restauração da caixa de enxoval estava concluída, o que significava que agora poderia focar totalmente em seu próprio estúdio.

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