Ao ver as duas mulheres saírem de braços dados e com passos trôpegos, Isaque Rocha virou o rosto e deu a ordem:
— Mandem alguém segui-las. Garantam que cheguem seguras.
Depois disso, ele abriu a conversa com Sérgio Serra e enviou o vídeo na mesma hora.
E claro, não perdeu a chance de provocar.
[Conheço um médico excelente que é especialista em disfunção masculina. Vou marcar uma consulta pra você.]
[Somos amigos há décadas, irmão. Não precisa ter vergonha comigo.]
[Uma vez a cada dois meses é foda... Se a Isabel Ribeiro, que sempre foi cadelinha sua, não aguentou, que outra mulher vai querer ficar com você?]
Sérgio Serra já estava deitado, pronto para dormir, com a raiva finalmente sob controle.
Ao ouvir o toque do celular, algo o fez pegar o aparelho.
Quando leu as mensagens de Isaque Rocha, suas sobrancelhas se juntaram em um vinco profundo.
Ele abriu o vídeo, acendeu a luz do abajur e sentou-se na cama.
Quando o vídeo terminou, ele trincou os dentes e acendeu um cigarro.
A mulher que sempre foi dócil como uma gatinha inofensiva agora esbanjava uma audácia despreocupada.
A atitude dela, cheia de liberdade, era magnética.
Ele não pôde evitar que os cantos de seus lábios se curvassem levemente para cima.
Mas, quando ouviu a parte em que ela dizia que ele não dava conta do recado, seu rosto escureceu.
Isaque Rocha era um fofoqueiro de primeira.
Com certeza espalharia aquilo aos quatro ventos.
Até o que era mentira acabaria virando verdade absoluta.
Ele pegou o celular e digitou freneticamente para Isabel Ribeiro.
[Eu não dou no couro?]
[Quem é que sempre chora implorando por arrego?]
Após enviar, ele ficou encarando a tela.
Ninguém nunca ousava ignorar suas mensagens no WhatsApp.
Ninguém o fazia esperar.
Por isso, ele nunca soube como era angustiante ficar no vácuo, com aquele aperto de ansiedade no peito.
No táxi, Isabel Ribeiro viu as mensagens.
O coração dela deu um salto.
Então, ele sabia mandar mensagens.
Ele tinha tempo.
Durante três anos, sempre foi ela quem mandou mensagens e esperou pelas respostas dele.
As mensagens dela ou eram ignoradas, ou respondidas horas depois.
E hoje, em um surto inédito, ele mandou várias mensagens de uma vez.
Três anos se passaram.
E foi só agora, à beira do divórcio, que ela conseguiu arrancar alguma reação emocional dele.
Isabel Ribeiro mordeu o lábio e deu uma risada amarga.
Riu de si mesma por ter sido tão idiota.
Riu das noites patéticas em que ficou encolhida no sofá da sala, esperando por ele.
O filho da amante já estava daquele tamanho.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou