Sérgio Serra não tinha paciência para ouvir mais nada. A raiva já subia pela garganta.
— Dona Santos, mostre a porta a eles.
— Diretor Serra, deve haver algum mal-entendido! Eu estou realmente interessado em comprar a casa...
Silvio Godoy tentou forçar uma proximidade, sem entender onde tinha ofendido o magnata, que sequer olhava na sua cara.
O corretor começou a perceber que a situação era grave. Não era à toa que uma mansão daquelas estava sendo vendida bem abaixo do valor de mercado.
Ele se afastou apressado para ligar para Isabel Ribeiro. Não podia perder aqueles dias de trabalho; o contrato de intenção de compra seria assinado hoje. Era dinheiro vivo escorrendo pelos dedos.
Isabel atendeu e mandou que esperassem na porta do Residencial Jardim Atlântico. Para ela, aqueles cinquenta milhões da venda eram o passaporte para a liberdade.
Os trezentos milhões estipulados no acordo de divórcio não eram garantidos. Se Sérgio decidisse travar o processo, ela não veria um centavo.
Quando Isabel chegou, os dois corretores e o casal Godoy estavam parados no jardim, com expressões ansiosas.
Assim que ela desceu do carro, o corretor correu até ela.
— Srta. Ribeiro, o que está acontecendo com essa casa?
— Não liguem para ele. A casa está no meu nome, eu tenho o direito de fazer o que quiser.
Sérgio desceu as escadas assim que ouviu o barulho do motor. Parou na porta a tempo de ouvir a voz firme da mulher.
— Isabel Ribeiro, já chega desse seu show? Eu saio para uma viagem e você decide vender a nossa casa?
Ele encarou a mulher parada no jardim. Ela usava uma jaqueta puffer branca, o rosto sem maquiagem, transbordando uma beleza pura e delicada.
Se dissessem que era uma universitária, ninguém duvidaria.
— Diretor Serra, a casa é minha e o que eu faço com ela é problema meu.
As pessoas no jardim ficaram mudas. Que tipo de relação aqueles dois tinham? Vendo a aparência jovem e atraente de Isabel, a primeira conclusão lógica era a de um sugar daddy e sua amante.
Silvio Godoy, que circulava pela alta roda, já tinha ouvido muitos boatos sobre Sérgio Serra e Flávia Cruz, mas nunca tinha escutado uma palavra sobre ele ser casado.
— Essa foi a casa que o vovô nos deu de casamento. Você tem que impor um limite para as suas crises. Não vou passar a vida passando a mão na sua cabeça. — disse Sérgio.
Isabel deu um sorriso frio.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou