O homem, que nunca havia tido o telefone desligado na cara por Isabel Ribeiro, franziu a testa imediatamente.
Fazendo birra, tendo ataques de ciúmes... Ela estava ficando cada vez mais audaciosa.
A voz feminina e suave atrás de Sérgio Serra apenas adicionou mais irritação ao seu humor, que já não estava dos melhores.
Sérgio virou a cabeça e lançou-lhe um olhar gélido. Guardou o celular e perguntou, com um leve tom de desagrado:
— O que você está fazendo aqui?
Flávia Cruz segurava uma bolsa térmica. Sua voz era doce e frágil.
— Fiquei sabendo que você não foi à empresa. Fiquei preocupada que não estivesse se sentindo bem, então vim dar uma olhada e trouxe um caldo para o seu estômago.
Sérgio não se moveu. O tom de sua voz carregava um aviso.
— Já não te disse para não vir à minha casa?
O coração de Flávia deu um salto. Seus olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante, e ela falou com um tom magoado:
— Eu só estava pensando em como você ajudou o Rafael a realizar o sonho dele, e também me ajudou...
Ela fungou, reajustou a postura e rapidamente forçou um sorriso no rosto.
— Você trabalhou tanto nesses últimos dias. Ver que você está bem me deixa aliviada. Lembre-se de tomar o caldo.
Sérgio viu como ela engoliu o choro para parecer a personificação da inocência. Suspirou e disse, friamente:
— A crise no Grupo Cruz já foi resolvida. Se houver qualquer outro problema com o trabalho, Hugo Duarte vai te auxiliar.
Flávia assentiu, celebrando internamente. Se ele não havia lavado as mãos completamente, ainda havia esperança.
Havia roubado o projeto de Isabel. E ouvira dizer que ela não ia à empresa há dias e até entregara a carta de demissão. Ela não podia deixar o esforço ir por água abaixo agora.
— Obrigada, Sérgio. Se não fosse por você nesses últimos anos, acho que eu nem estaria mais viva.
A voz embargada de Flávia fez com que o desprazer no coração de Sérgio diminuísse um pouco.
— Vá embora. O Hugo vai acompanhar os projetos do Grupo Cruz. Qualquer dúvida, fale direto com ele.
Ela concordou com a cabeça e sorriu de forma dócil.
— Uhum, não se preocupe. Não venho mais. Não quero te causar problemas. A Isa deve ter ficado chateada por causa da minha última visita, não é? Eu vou explicar tudo para ela, para que não te entenda mal.

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