A mente de Isabel Ribeiro ficou em branco por um instante. Sérgio Serra nunca a havia beijado durante o dia, muito menos em público.
Ele sempre foi um homem frio. Mesmo na cama, na maioria das vezes, era Isabel quem precisava tomar a iniciativa. Ele só correspondia quando já estava no limite da excitação, deixando claro que aquele casamento havia sido forçado.
Dizem que os homens pensam com a cabeça de baixo e são dominados pelo desejo quando excitados, mas ela nunca tinha visto Sérgio perder o controle assim.
Ele nunca teve um desejo intenso por ela, então Isabel sempre soube que ele não a amava.
No entanto, ela já tinha visto esse amor intenso e contido ser direcionado a Flávia Cruz.
Logo após se casarem, Sérgio ficou doente. Isabel passou a noite inteira ao seu lado, cuidando dele sem nem trocar de roupa. Mas, no delírio da febre, ele segurou a mão dela e chorou:
— Pequena, não vá. Não me deixe.
No início, ela não sabia quem ele estava chamando. Só depois descobriu que era o apelido carinhoso que a família de Flávia usava.
E tinha também a vez na estrada da Serra de Santa Luzia. O nervosismo de Sérgio, as mãos trêmulas enquanto abraçava Flávia com força... Aquele cuidado extremo de quem morre de medo de perder quem ama ainda estava gravado na memória de Isabel.
Ao lembrar disso, ela voltou à realidade. Todos os toques dele de repente se tornaram inaceitáveis. Chegavam a lhe dar náuseas.
Enquanto Sérgio explorava sua boca, Isabel abriu os dentes e o mordeu com força.
Mas a reação dele foi rápida. Como se já tivesse percebido que algo estava errado assim que ela abriu a boca, antes mesmo que os dentes dela se fechassem, a mão dele apertou seu queixo.
Os dedos dele se enfiaram entre seus dentes, impedindo a mordida.
— Ainda não cansou desse teatrinho?
A voz rouca e profunda do homem carregava uma frieza diferente do habitual.
Isabel olhou para o homem que um dia a fascinou. Com medo de fraquejar, ela desviou o olhar e disse friamente:
— Você queria que eu almoçasse com você e eu já fiz isso. Agora me dê as informações sobre o doador de rim.
Sérgio estava prestes a responder quando seu celular tocou. Ele olhou para a tela, franziu a testa e abriu a porta do carro, sinalizando para que Isabel entrasse.
Em seguida, virou-se para atender a ligação.
Isabel olhou para as costas largas do marido e deixou escapar um sorriso autodepreciativo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou