A mulher que não atendia suas ligações estava num encontro com outro homem.
Inconscientemente, Sérgio Serra guardou o isqueiro. O cigarro em sua mão foi esmagado até virar pó.
Ele estava prestes a ligar para Isabel Ribeiro, quando a voz clara de Nádia Serra soou:
— Primo, o que você tá fazendo aqui fora?
Nádia subia do estacionamento de braços dados com Flávia Cruz.
— Sérgio, tá muito frio aqui fora. Vai acabar pegando um resfriado. — disse Flávia.
Sérgio controlou o temperamento e olhou para elas:
— O que vocês vieram fazer aqui?
— Ah, a Flávia disse que o peixe desse restaurante é ótimo. A gente terminou as compras e veio pra cá.
Seguindo a mão de Nádia, Sérgio viu que era exatamente o restaurante onde Isabel estava. Ele disse com a voz grave:
— Que coincidência, eu ainda não jantei. Vou com vocês.
Flávia ficou secretamente radiante. Não sabia como convidá-lo sem parecer inconveniente, e agora ele mesmo se oferecia para jantar com elas.
Nádia, obviamente, adorou a ideia. Ela mal via a hora do primo se acertar logo com Flávia e dar um pé na bunda daquela Isabel.
— Ótimo! Vamos logo, primo, tá congelando.
Nádia segurou o braço de Flávia de um lado e puxou Sérgio do outro. Os três entraram no restaurante juntos.
Sérgio sentou-se a uma curta distância de Isabel, de onde tinha uma visão perfeitamente clara da mulher sorrindo e conversando alegremente.
Fazia muito tempo que Isabel não jantava de forma tão descontraída com Júlio Martins.
Antes, achava que, por ser casada, deveria manter distância dos outros homens, ainda mais porque ela e o veterano já haviam sido muito próximos.
Mas agora, sua consciência estava tranquila. O veterano também nunca havia mencionado o passado, o que indicava que não se importava mais.
Ou talvez, na época, os sentimentos dele por ela fossem apenas compaixão, o que o fez cuidar tanto dela a ponto de prometer lhe dar uma nova família.
— E aí, o peixe daqui não é maravilhoso? — Júlio perguntou, enquanto servia mais caldo para ela.
Isabel assentiu, com um sorriso que apertava os olhos:
— É uma delícia mesmo. Mas eu já tomei duas tigelas! Se você me fizer tomar mais, não vou conseguir nem andar.
— Você tá muito magra. Precisa comer mais.
O decote em V do vestido de Isabel ofuscava os olhos de Sérgio. Além daquele sorriso suave e brilhante... Fazia quanto tempo que ela não sorria daquele jeito para ele?
— Primo, pra onde você tá olhando?
Nádia estava sentada de frente para Sérgio, sem entender o que o mantinha tão distraído.
Mas Flávia, desde que entrou, percebeu que o olhar dele estava fixo em uma única direção.
Seguindo a linha de visão de Sérgio, ela encontrou Isabel transbordando sorrisos.
— Sérgio, a Isa tá ali. Quer ir dar um oi ou chamar ela pra se juntar a nós?

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