— Não tenho tempo.
— Tem a ver com a sua chance de se tornar a Senhora Serra. Tem certeza de que não tem tempo? — Isabel levantou as pálpebras, olhando-a com deboche. — Três milhões pode não ser muito para você, mas pelo menos faria um barulho se jogasse no rio. Você realmente está disposta a nadar, nadar e morrer na praia?
Pelo que aconteceu no outro dia, Flávia sabia que Isabel estava falando sério sobre o divórcio. Pensou por dois segundos e respondeu:
— Você tem cinco minutos.
— Fechado.
As duas se sentaram em um café ao lado do Grupo Serra.
— Fale logo o que quer. Cinco minutos passam rápido.
Isabel sorriu, indo direto ao ponto.
— Vou usar o seu filho.
Flávia olhou para Isabel em alerta máximo.
— Isabel Ribeiro, problemas de adultos não devem envolver crianças. Não ouse mexer com o meu filho!
— Eu não sou tão perversa quanto você, que usa a criança todos os dias para prender um homem.
— Você está falando bobagem! Quando foi que eu...
— Não adianta mais fingir. Sempre que há um problema, a criança liga para o Sérgio. Uma criança de menos de três anos não entende a própria situação, mas você e a babá também não entendem?
Flávia sentiu o golpe. Era verdade que ela o instruía. Quando Rafael ficava doente e ligava para ela, ela dizia que não podia voltar e mandava o filho e a babá ligarem para Sérgio.
Na verdade, ela estava apenas fazendo compras com Nádia Serra. As horas extras eram apenas uma desculpa.
— Estou com preguiça de me meter na relação de vocês. Se o Sérgio aceita, não é problema meu. O que estou dizendo é que vou pedir o seu filho emprestado só para fazer o Sérgio ir ao cartório assinar os papéis do divórcio comigo.
Isabel falava em ir para a Justiça, mas sabia muito bem o quão difícil era um processo de divórcio litigioso. Ainda mais contra alguém como Sérgio Serra, que poderia arrastar o caso com qualquer desculpa esfarrapada.
Mesmo se não a destruísse, iria exauri-la. O dinheiro que Leonardo Souza tinha extorquido com certeza seria usado como um obstáculo.
Mas com a criança em jogo, seria diferente. Sérgio protegia o garoto com unhas e dentes. Jamais deixaria que algo acontecesse com ele.
Se Melissa podia fazer Sérgio assinar os papéis, aquela criança seria a chave para ele ir ao cartório.
De um jeito ou de outro, precisava oficializar logo o pedido. Caso contrário, quando estaria livre? Ela não conseguia mais viver naquele casamento a três.
Muito menos queria continuar sendo o alvo das manipulações de Leonardo Souza por ser a esposa de Sérgio.
Aquela vida desprezível precisava ser cortada pela raiz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou