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Último Desejo: a dançarina e o bilionário terminal romance Capítulo 246

"Valentina"

O som do eco dos meus próprios saltos contra o chão do galpão do meu novo estúdio de dança tinha o ritmo da vitória naquela tarde de terça-feira. Eu andava de um lado para o outro com uma prancheta nas mãos, revisando os detalhes para a inauguração no dia seguinte, vendo os meus novos funcionários testando seu novo espaço de trabalho e acompanhando a montagem das mesas e da decoração para o nosso coquetel de inauguração.

Uma onda de felicidade indescritível inundava o meu peito a cada cinco minutos, me fazendo levar a mão direita de forma automática até a minha barriga. O mundo parecia ter se encaixado nos trilhos certos depois que eu conheci o Dante, ele tinha me dado mais do que prometeu, ele me deu proteção e afeto. A reluzente pulseira de rubis que o Dante havia deslizado no meu braço na noite passada reluzia sob os refletores de led, me lembrando de que eu não era mais alguém tentando sobreviver, eu era a dona do meu próprio império. Aquele estúdio, o meu filho, a minha avó cada dia melhor, era a minha nova realidade e ninguém poderia tirá-la de mim.

A grande noite de inauguração estava marcada para o dia seguinte, e as pessoas corriam para finalizar a montagem enquanto a Dona Marta ligava para ajustar os últimos detalhes do buffet que ela havia contratado. Aquela governanta era uma jóia!

Eu parei em frente a uma barra de poledance e deslizei a minha mão por ela. A Tati se aproximou e passou o braço pelos meus ombros.

- É amanhã, Tina! - Ela estava sorrindo.

- Amanhã! Finalmente vamos reabrir. - Eu concordei, ainda alisando a barra. Era no alto de uma barra de poledance que eu me sentia mais livre, mais poderosa.

- Você não vai mesmo fazer uma apresentação no poledance? - Minha amiga perguntou.

- Não posso, Tati. Pelo bem do bebê. O médico disse que o esforço que o pole exige do core é perigoso nessas primeiras semanas, pode gerar uma pressão intra-abdominal prejudicial à gestação. Além do risco de uma queda. Talvez ele me libere no segundo semestre mas de forma adaptada, mantendo os pés no chão. - Eu expliquei.

- Você não cai do pole. - Ela respondeu com um sorriso orgulhoso. - Mas ele está certo, vamos ter cuidado com o nosso bebêzinho! - Ela colocou a mão sobre a minha na minha barriga. - Agora para de passar a mão na barriga já que você não quer que a notícia se espalhe.

- Nós escolhemos uma boa equipe, não foi?! - Eu comentei olhando em volta, com os olhos brilhando de emoção ao ver os instrutores voando nas barras, nos tecidos, girando pelo chão, enquanto a música alta reverberava pelo espaço que estava finalmente ganhando vida.

Quase no fim da tarde já estava tudo pronto. Os ensaios já tinham terminado e o pessoal já tinha ido embora. Eu olhei em volta satisfeita e me joguei na poltrona do canto, a mesma que o Dante colocou em frente ao poledance para me ver dançar aqui.

A Tatiana se sentou ao meu lado e respirou fundo, olhando para o anel no dedo dela com uma infelicidade que me deprimiu.

- Qual o problema com esse anel, Tatiana? Você olha para ele tanto e com uma cara tão desesperada, que eu chego a pensar que ele está te machucando. - Eu disparei e ela deu um riso triste.

- De certa forma está. - Ela confessou com um suspiro, como se estivesse totalmente alheia. - É só uma fantasia, Tina, e esse anel me lembra disso o tempo todo.

- E você quer que seja real. - Não foi uma pergunta e tirou a minha amiga daquele transe em que ela parecia estar. Ela desviou os olhos do anel para mim. - Tati, vocês se beijaram, brigam como se já fossem um casal, ele gruda em você como um carrapato. Onde isso não é real? Vocês dois só não se deram conta ainda.

- Tina, pelo amor de Deus, não coloca coisa na minha cabeça desmiolada. - A Tati choramingou.

- O que aconteceu de verdade depois do haras, Tati? Vocês se pegaram no apartamento dele ou o engravatado continuou fingindo que um cavalheiro Dornelles respeita o status quo da amizade de fachada? Sim, porque de fachada entre vocês é essa amizade e não o namoro.

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