Capítulo 1: Adam Carter ...
Nunca fui um homem fácil, sempre frio arrogante e distante, adjetivos que me definem com uma certa precisão. Aprendi cedo que sentimentos são fraquezas disfarçadas de virtudes, e tenho passado a vida me protegendo delas.
Nova York moldou quem eu me tornei nos últimos anos, em minha empresa automobílistica eu controlo tudo... os negócios, as pessoas, os horários e emoções não entram em minha equação.
Essa semana, estou bem longe de casa.
O Brasil nunca esteve em meus planos, além do estritamento profissional necessário. Infelizmente, no mundo dos negócios exigem a presença, contratos e apertos de mão. E ainda tenho que aguentar o meu irmão nessas viagens, exigindo que eu aproveite mais a vida. Ele pedir isso é como um soco no estômago, mais do que qualquer um, ele conhece a minha história de vida e sabe que me fechei completamente para essas breguices de relacionamentos. Sou bem prático e decidido quanto a isso!
Estamos em São Paulo há três dias, fechando uma importante sociedade. Durante o dia, reuniões intermináveis e a noite, ele insiste em me arrastar para fora do hotel e nunca aceito.
Adriel sempre foi o oposto de mim e do nosso irmão Adrian, ele é brincalhão, insistente, daqueles acreditam que a vida precisa ser vivida com leveza. Desde que chegamos, tenta me convencer a relaxar um pouco... como se isso fosse possível.
— Você não veio só pra trablhar, veio? — provocou pela milésima vez, ajustando o relógio caro no pulso.
— Vim exatamente para isso... trabalho!
— Você precisa parar de viver como um viúvo morto e solitário... Vamos sair um pouco... apenas essa noite, vai!
Revirei os olhos por sua insistência ridícula e infantil de todos os dias. Adriel, sempre foi o oposto de mim, leve brincalhão e algumas vezes inconsequente. No entanto, se casou com uma garota que é o oposto dele e não sei como ela tolera suas frequentes noitadas.
Aceitei ir à boate mais por cansaço do que por vontade.
E o lugar era exatamente como eu esperava; luzes coloridas, música alta, corpos se movendo em sincronia com o álcool e o desejo.
Os meus sócios pareciam em casa, riam alto, bebiam e observavam as mulheres como se estivessem num item de cardápio e confesso que acho isso rídiculo.
Sentei em um sofá de couro na área vip, pedi um uíque e observava à distância o movimento. Não estava ali para flertar, apenas estava ali...
Os homens riam alto, falavam de números e mulheres como se tudo fizesse parte do mesmo pacote.
— Vai me dizer que nenhuma dessas belas mulheres não te agrada? — perguntou um dos sócios, inclinando-se na minha direção. — Escolhe uma, relaxe um pouco!
Neguei com a cabeça.
— Não estou interessado!
— Você nunca está, maninho! — provocou Adriel e o fitei com o olhar.
Eles riram, como se fosse uma piada. Engraçado, como acham que homens como eu estão apenas se fazendo de difíceis, quando não imaginam que o vazio é bem mais confortável do que qualquer companhia passageira.
Já estava decidido a ir embora, quando as luzes diminuiram, uma fumaça branca começou a dissipar pelo palco. A batida mudou, ficando mais grave, mais lenta e o Dj, anunciou as dançarinas que iriam dançar a música chamada "Feitiçeira, de Pedro Sampaio".
Eu não estava olhando, mas como um ímã o meu olhar desceu para a pista, no exato momento em ela surgiu entre a fumaça.
E ali, tudo parou, o meu coração errou as batidas, a boca ficou seca e precisei engolir em seco para lembrar como se respirava. Levantei-me lentamente, os dedos se fecharam no corrimão à minha frente.
Os seus cabelos longos e ondulados caíam pelos ombros até a cintura, refletindo as luzes douradas. O seu corpo espetacular com curvas que parecem desenhadas a mão, movimentava-se com precisão... tão natural, como se a música tivesse sido feita para obedecer a ela... ou o contrário.
Não era apenas isso, que chamava a minha atenção, era o seu rosto. O mesmo formato, o mesmo olhar e aquela maldita sensação de déjà-vu que me atravessou como um soco no estômago. Por um segundo, tive a certeza de que estava enlouquecendo, ou havia bebido demais.
Adriel falou algo, mas não ouvi.
— Ei... — insistiu tocando o meu ombro. — Está tudo bem?
Ignorei.
Os meus olhos estavam presos nela enquanto dançava, completamente alhei à minha existência, e ainda assim era como se dançasse exclusivamente para mim. Cada movimento puxava-me para algo antigo, enterrado a sete chaves e dolorido demais. Um maldito nome que não ousei pensar, um passado que jurei não revistar nunca mais.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Um amor inesperado: a obsessão pela babá