Naquele momento, Clarice e Jaqueline passavam em frente a uma joalheria quando, sem querer, Clarice viu uma mulher escolhendo anéis dentro da loja. O rosto dela parecia familiar. Sentindo um aperto no peito, Clarice segurou o braço de Jaqueline e entrou. Assim que se aproximou, reconheceu a mulher de imediato.
Era Giulia.
Cinco anos atrás, Giulia havia procurado o escritório de advocacia onde Clarice estagiava para dar entrada no divórcio. O marido, além de infiel, era violento. Quem assumiu o caso foi Thiago, seu mentor.
Mas o processo sequer chegou ao fim. Antes disso, Thiago morreu ao cair do alto de um prédio.
Clarice conhecia bem Thiago. Ele era explosivo, gritava por qualquer coisa, mas nunca, jamais, seria alguém que tiraria a própria vida.
Após a morte dele, Clarice tentou encontrar Giulia para entender melhor os acontecimentos. Mas, antes que pudesse conseguir qualquer resposta, Giulia vendeu a casa e desapareceu.
Nos últimos cinco anos, Clarice investigou discretamente a morte de Thiago. Ao mesmo tempo, procurava por Giulia. Mas era como se ela tivesse evaporado. Nenhuma pista, nenhuma informação útil.
E agora, do nada, Giulia estava ali.
Clarice se perguntou se, esse tempo todo, Giulia não teria estado em algum lugar de Londa, escondida.
— Senhoritas, desejam ver alguma peça? Posso ajudá-las? — Perguntou a vendedora, aproximando-se com um sorriso profissional.
Jaqueline lembrou-se do cartão que aquele homem lhe dera e o pegou na bolsa, entregando-o à funcionária.
— Podemos ir para uma área mais privativa para escolher com calma?
A vendedora pegou o cartão e, ao reconhecê-lo, ficou boquiaberta. Era uma edição limitada, emitida apenas para clientes exclusivos. Em Londa, apenas as famílias mais tradicionais tinham acesso a ele.
Ela olhou de novo para Jaqueline e Clarice, avaliando-as. Jovens, bem-vestidas... Deviam ser esposas ou filhas de algum magnata.
— Claro, por favor, me acompanhem! — Disse ela, rapidamente, fazendo um gesto para que seguissem até uma área reservada.
Jaqueline deu um passo à frente e, com um tom de natural autoridade, ordenou:
— Chame aquela moça também. Ela pode escolher junto com a gente, não tem problema, né?
A vendedora abriu um sorriso.
— Nenhum!
Se vendesse mais, sua comissão aumentaria. Quanto mais clientes, melhor.
Clarice trocou um olhar cúmplice com Jaqueline. Era por isso que eram melhores amigas. Nem precisavam falar para se entenderem.
Seguiram para a sala privativa e, pouco depois, Giulia foi conduzida até lá. A vendedora, vendo que a moça conhecia as clientes VIP, nem cogitou que pudesse ser alguém sem dinheiro.
— Você se lembra de Thiago, o advogado que cuidava do seu divórcio e que "se suicidou" cinco anos atrás?
O rosto de Giulia se transformou por um breve instante antes de voltar ao normal.
— Você está enganada. Não sei do que está falando.
— Giulia, passei cinco anos te procurando. Só quero saber o que aconteceu antes de Thiago cair daquele prédio. — A voz de Clarice era tranquila, sem agressividade. — Só quero a verdade.
A morte de Thiago foi oficialmente registrada como suicídio. Mas Clarice nunca aceitou essa versão. Algo estava errado. E Giulia era a única pessoa que talvez pudesse esclarecer os fatos.
— Você está confundindo as coisas. Eu não me chamo Giulia. Meu nome é Agatha. Se quiser, eu mostro minha identidade.
Clarice a encarou.
Ela sabia que era a mesma mulher. Giulia tinha uma pequena marca de nascença no meio da testa. E a mulher à sua frente também.
Isso não era coincidência.
Giulia começou a se sentir desconfortável.
— Eu preciso ir. Tenho um compromisso. — Ela se levantou apressada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...